Um grave incidente de trânsito ocorrido na manhã desta segunda-feira (24), na Avenida São Rafael, em Salvador, terminou com um motorista de aplicativo baleado na perna. A vítima, identificada como Cirilo Carvalho, de 27 anos, foi atingida após uma discussão motivada por uma colisão traseira. O caso ganha contornos de complexidade devido à acusação da família de que o autor do disparo seria um policial militar que estava de folga no momento do ocorrido.
Segundo relatos da esposa da vítima, Samile Sahade, o condutor do outro veículo, um Corolla preto descaracterizado equipado com giroflex, teria fechado o carro de Cirilo logo após o impacto. A vítima, que realizava entregas no momento do crime, teria tentado sair do veículo pelo lado do passageiro após ser impedido de abrir a porta do motorista, momento em que foi abordado de forma violenta e alvejado.
Dinâmica da agressão e questionamentos familiares
De acordo com os familiares, não houve qualquer tipo de negociação ou comunicação por parte do agressor. Cirilo Carvalho relatou, ainda durante o atendimento na ambulância, que não iniciou a briga e foi surpreendido pela reação desproporcional do outro condutor. Testemunhas que presenciaram a cena teriam confirmado a versão da vítima, inclusive oferecendo suporte para esclarecer a dinâmica dos fatos às autoridades.
O projétil permanece alojado na perna de Cirilo, próximo à artéria femoral, o que eleva a gravidade do quadro clínico. O trabalhador segue internado no Hospital Geral do Estado (HGE) em condição estável, aguardando a realização de procedimento cirúrgico para a retirada do objeto metálico.
Interferência na investigação e mudança de tipificação
A família da vítima expressou profunda indignação com o desenrolar do registro policial. Inicialmente, o caso foi tratado como tentativa de homicídio, mas, segundo os parentes, houve uma intervenção direta para que a ocorrência fosse reclassificada como lesão corporal. A mudança teria resultado, inclusive, no cancelamento da perícia técnica que deveria ser realizada no veículo envolvido no incidente.
A esposa da vítima afirmou que a cápsula do disparo ainda permanecia dentro do carro, sobre o banco do passageiro, horas após o crime. A família denuncia a existência de uma possível rede de influência que estaria tentando abafar a situação, dificultando o avanço das investigações e a responsabilização do suspeito, identificado pelos familiares como Vanderlei Ramos Bonfim.
Busca por justiça e posicionamento das autoridades
Diante da gravidade da denúncia, os familiares de Cirilo Carvalho exigem a apuração rigorosa do caso e a exoneração do policial apontado como autor dos disparos. A defesa da família sustenta que a conduta do suspeito demonstra um desequilíbrio incompatível com o exercício da função pública e o porte de arma de fogo.
O BNews buscou esclarecimentos junto à Polícia Militar e à Polícia Civil da Bahia sobre a identificação do suspeito e os motivos que levaram à alteração da natureza do registro policial. Até o momento, as corporações não se manifestaram oficialmente sobre o caso. O espaço permanece aberto para que as instituições prestem os devidos esclarecimentos à sociedade.
Fonte: bnews.com.br
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