O publicitário Alexandre Oltramari, responsável pela comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, rompeu o silêncio sobre sua saída do comando estratégico da candidatura. O profissional, que esteve à frente da propaganda por dois meses, atribuiu o desligamento a uma desconexão crescente entre sua equipe técnica e o comando político do Partido Liberal (PL).
A transição no marketing da campanha ocorreu no final de julho, quando Oltramari foi substituído por Duda Lima, nome de confiança do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. O publicitário nega que tenha se sentido injustiçado e sustenta que sua gestão entregou resultados concretos, incluindo a recuperação de pontos em pesquisas de intenção de voto após o impacto do chamado caso Dark Horse.
Estratégia de moderação e resultados eleitorais
Oltramari defende que a linha de atuação adotada durante sua gestão, focada em apresentar Flávio Bolsonaro como um candidato moderado, foi bem-sucedida. Segundo ele, o objetivo era expandir o alcance do eleitorado para além da base bolsonarista tradicional, buscando a parcela do eleitorado de direita que não se identifica estritamente com o núcleo radical do movimento.
O ex-marqueteiro refuta a tese de que a troca de comando visava frear essa estratégia. Ele aponta que conteúdos produzidos sob sua coordenação, como a campanha “Vem com Fé”, continuam sendo utilizados por figuras centrais da família, incluindo Michelle Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro. Para Oltramari, a continuidade do uso dessas peças pelos familiares comprova a sintonia do trabalho com a identidade do grupo político.
Controvérsia sobre o uso de inteligência artificial
Um dos pontos mais debatidos durante a atuação de Oltramari foi a exibição de um vídeo com inteligência artificial de Jair Bolsonaro durante a convenção de Flávio. O publicitário contesta a classificação do material como deep fake, argumentando que a peça deixava claro, logo na introdução, que se tratava de uma imagem gerada por tecnologia.
O tema ganha relevância diante da expectativa de um julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral, que deve definir regras restritivas para o uso de IA nas eleições. Oltramari espera que a corte estabeleça um balizador claro, diferenciando simulações que buscam enganar o eleitor de recursos tecnológicos utilizados de forma transparente na comunicação política.
Interferência e o futuro da comunicação
Ao abordar a dinâmica interna, o publicitário reconhece que a interferência política no trabalho de marketing é uma constante natural. Ele pontua que o distanciamento entre a visão técnica e as diretrizes do comando partidário tornou a permanência insustentável, levando à decisão mútua de não renovar o contrato ao final do prazo estabelecido em 30 de julho.
Questionado sobre episódios específicos, como a transparência no financiamento de produções cinematográficas envolvendo o candidato, Oltramari preferiu não estender comentários, remetendo as questões atuais à gestão de Duda Lima. O foco, segundo o profissional, permanece na análise dos números e no legado da estratégia de comunicação deixada para a sequência da campanha.
Fonte: politicalivre.com.br
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