Trabalhadores contratados para atuar na campanha de Luís Miranda, candidato não eleito a deputado distrital, denunciam o não pagamento pelos serviços prestados durante o período eleitoral. A equipe, composta por freelancers, alega ter sido recrutada para realizar pesquisas de intenção de voto e gerenciar grupos de WhatsApp voltados à promoção da candidatura. O descontentamento cresceu após a apuração das urnas, que registrou 3.610 votos para o político, número significativamente inferior às expectativas geradas pelos grupos de apoio.
Estrutura de trabalho e exigências contratuais
Conforme documentos obtidos pelo Metrópoles, o serviço contratado previa o pagamento de R$ 700 por colaborador. A principal atribuição consistia na criação e manutenção de grupos de mensagens com pelo menos 50 integrantes que declarassem apoio explícito ao candidato. Um membro da equipe de coordenação deveria ser incluído em cada grupo para validar a participação dos eleitores.
As diretrizes estabeleciam que integrantes que manifestassem rejeição ao candidato fossem removidos. Além disso, os trabalhadores deveriam enviar mensagens diárias, até as 18h, confirmando a fidelidade dos participantes. Relatos indicam que, diante da dificuldade em encontrar apoiadores reais, a própria coordenação teria orientado a equipe a convencer pessoas a declararem voto em Luís Miranda, independentemente de sua real intenção.
Denúncias de irregularidades e ausência de pagamentos
A desconfiança sobre a quitação dos valores surgiu quando a data do depósito foi adiada. Uma das colaboradoras, moradora de São Sebastião, afirmou ter recebido um comprovante de transferência que, após conferência bancária, revelou-se inválido. A situação gerou uma onda de reclamações nas redes sociais, liderada por pessoas que buscavam o pagamento para cobrir despesas pessoais e causas sociais.
Andressa Matazzo, uma das denunciantes, utilizou o Instagram para expor o caso, o que resultou no bloqueio de seu perfil pelo ex-candidato. Segundo ela, o movimento ganhou força com o contato de outros prestadores de serviço que relataram a mesma situação, estimando que o número de pessoas sem receber ultrapasse uma centena.
Posicionamento da defesa e auditoria interna
Em resposta às acusações, Luís Miranda negou ter contratado diretamente os profissionais que relatam o calote. O político afirmou que a campanha limitou-se a contratar cabos eleitorais e que um integrante de sua equipe teria realizado as contratações para a estratégia de redes sociais sem a sua devida autorização.
Miranda declarou estar conduzindo uma auditoria interna para apurar a responsabilidade pelos contratos e pelos serviços prestados. O ex-candidato também questionou a eficácia do trabalho realizado, apontando a discrepância entre os 21 mil apoiadores declarados nos grupos de WhatsApp e os 3.610 votos recebidos nas urnas, sugerindo que o serviço pode ter sido manipulado.
Fonte: metropoles.com
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