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Jaques Wagner nega senhas de celulares à Polícia Federal em investigação

Jaques Wagner nega senhas de celulares à Polícia Federal em investigação

O senador Jaques Wagner (PT-BA) recusou-se a fornecer à Polícia Federal as senhas de dois aparelhos celulares apreendidos em sua residência, localizada em Salvador. A negativa ocorreu durante o cumprimento de mandados da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho.

Os detalhes da diligência foram tornados públicos após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a retirada do sigilo dos autos. Em relatório, os agentes registraram formalmente que o investigado optou por não colaborar com o desbloqueio dos dispositivos eletrônicos.

Apreensões de valores e bens de luxo

Durante a busca e apreensão, a equipe policial localizou quantias expressivas em espécie, totalizando R$ 16,5 mil, US$ 16.795 e € 39.675. O montante estava distribuído entre uma mala atribuída ao senador e um cofre situado no closet de sua esposa.

Além do dinheiro, os agentes recolheram diversos relógios de alto valor. Questionado sobre a origem dos itens, Jaques Wagner afirmou que as aquisições ocorreram ao longo dos anos, contudo, não apresentou notas fiscais que comprovassem a propriedade ou o valor dos bens. A Polícia Federal informou que o valor econômico dos objetos será apurado por meio de perícias técnicas.

Suspeitas de ligações com o Banco Master

A investigação apura possíveis vantagens indevidas recebidas pelo parlamentar de empresários ligados ao Banco Master. O foco central recai sobre a relação entre o senador e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Dados coletados pelos investigadores apontam para a existência de pelo menos 74 ligações entre ambos entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando mais de cinco horas e meia de comunicações telefônicas.

Uso de linguagem cifrada em transações imobiliárias

Um dos pontos de atenção da Polícia Federal envolve a compra de um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões, destinado à filha do senador. Em novembro de 2024, Jaques Wagner teria intermediado o contato entre Augusto Ferreira Lima e um gerente da construtora responsável pelo empreendimento.

Posteriormente, em dezembro de 2025, uma mensagem enviada por Daniel Monteiro, advogado do Banco Master, a Guilherme Sodré, homem de confiança de Wagner, mencionava que “a altura do vão é 2,45m”. Para os investigadores, a frase sugere o uso de linguagem cifrada para ocultar o real teor da transação. Em declaração anterior, o senador admitiu ter discutido a compra do imóvel com Augusto Lima, justificando a transação como um auxílio financeiro à filha.

Fonte: bahianoticias.com.br


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