A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), protagonizou um movimento político controverso ao nomear Silvio Fidelis para o cargo de secretário de Governo. A decisão ocorre apenas dois meses após a própria gestora ter formalizado denúncias contra o auxiliar, apontando suspeitas de irregularidades em contratos firmados durante a gestão anterior.
O caso, que movimenta os bastidores da política mato-grossense, envolve um suposto sobrepreço de R$ 6,2 milhões em um contrato de transporte escolar. A nomeação de Fidelis foi oficializada em dezembro de 2025, desafiando o histórico de embates jurídicos entre os dois agentes públicos.
Investigações sobre o contrato de transporte escolar
A representação movida por Flávia Moretti em outubro de 2025, junto ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) e ao Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT), detalha indícios de conluio entre as empresas Allegratur, Eva Tur e Doannytur. Segundo as apurações, as companhias teriam apresentado propostas com valores quase idênticos para direcionar o resultado da licitação.
Uma auditoria municipal interna chegou a apontar que a quilometragem registrada no contrato estaria superfaturada em 101%. O caso coloca em xeque a lisura dos processos licitatórios realizados durante a administração do ex-prefeito Khalil Baracat (MDB), período em que Silvio Fidelis ocupava a pasta da Educação.
Decisão judicial e afastamento do cargo
O cenário jurídico se complicou para o secretário na última sexta-feira (14), quando o juiz Francisco Ney Gaíva determinou o seu afastamento do cargo. A medida, motivada por uma ação popular, foi fundamentada no risco de que a permanência de Fidelis na administração municipal pudesse influenciar servidores e obstruir o curso das investigações em andamento.
Apesar da decisão judicial, a prefeitura tenta reverter o afastamento. A situação é agravada pelo fato de que o secretário estava cotado para assumir também a pasta da Saúde, acumulando funções estratégicas no governo municipal, conforme reportado pelo portal Uol.
Argumentos das defesas e posicionamento oficial
Em sua defesa na ação popular, Silvio Fidelis sustentou que sua atuação no processo licitatório foi estritamente formal, negando responsabilidade direta sobre as medições dos serviços prestados. Por outro lado, o advogado da Allegratur, Francisco Faiad, afirmou que o contrato passou pelo crivo do TCE e que as contas do período entre 2022 e 2024 foram aprovadas tanto pela Câmara Municipal quanto pelo órgão de controle estadual.
Enquanto a Doannytur negou qualquer irregularidade, a defesa da EvaTur declarou que não mantém vínculos com o município desde 2022. Até o momento, a Prefeitura de Várzea Grande não se manifestou oficialmente sobre a manutenção do secretário no quadro administrativo após as denúncias.
Fonte: bnews.com.br
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