A obra atemporal de Chico Buarque ganha uma nova roupagem através do projeto Chico 2.0, uma iniciativa que convida artistas de diferentes gerações e vertentes musicais para revisitar o vasto repertório do compositor. A primeira etapa deste trabalho foi disponibilizada nas plataformas digitais em 21 de setembro, enquanto o complemento da obra está programado para chegar ao público em outubro.
O projeto é uma realização conjunta da CUFA, FRecords, Tha House e Universal Music Brasil. A curadoria e a produção musical contam com a assinatura de Felipe Poeta e Alê Siqueira, contando ainda com a colaboração estratégica de Celso Athayde, Preto Zezé e Fábio Almeida para a viabilização da proposta.
Conexão entre gerações e música urbana
A premissa do Chico 2.0 é estabelecer uma ponte entre a lírica buarquiana e a estética da música urbana contemporânea. O elenco de artistas inclui nomes como Dexter, MC Livinho, Xênia França, MC Cabelinho, Budah, Júlia Mestre, TZ da Coronel, Don L, VANDAL, Tasha & Tracie, Grag Queen, Bela Maria e Maurício Pazz. As releituras exploram gêneros como rap, trap, funk, R&B, samba e soul, mantendo o respeito às melodias originais enquanto injetam novas sonoridades.
Segundo Felipe Poeta, a intenção foi inovar sem descaracterizar a essência das composições. O produtor destaca que, embora as letras tenham sido escritas em contextos distintos, os temas abordados pelo compositor permanecem atuais, facilitando a identificação do público jovem com o legado do artista.
Diálogos musicais e participações especiais
O álbum apresenta encontros inusitados, como a interpretação de MC Cabelinho para a icônica “Cálice”, e a participação de MC Livinho em “Construção” e “Pivete”. Outro destaque é a união entre Don L e o baiano VANDAL, que dividem os vocais em uma faixa que conta com a participação especial de Milton Nascimento e do próprio Chico Buarque, reforçando a importância da conexão entre diferentes expressões da música brasileira.
Artistas como Xênia França, Grag Queen e Bela Maria também trazem suas perspectivas para o projeto. Grag Queen, ao interpretar “Geni e o Zepelim”, buscou incorporar elementos de sua identidade artística, enquanto Bela Maria revisita “Meu Caro Amigo”, canção que permeia sua trajetória pessoal. Mais informações sobre o catálogo da gravadora podem ser conferidas no site da Universal Music Brasil.
Visão artística e impacto cultural
Para os idealizadores, o projeto não se trata de um exercício de nostalgia, mas de uma afirmação de futuro. Celso Athayde, fundador da CUFA, ressalta que a iniciativa busca garantir que a nova geração ocupe o espaço da música popular com autonomia narrativa e qualidade técnica. A proposta é reforçada por Preto Zezé, que defende que a obra de Chico Buarque é fruto da vivência popular e, portanto, deve dialogar com a velocidade e a estética do Brasil contemporâneo.
Fonte: atarde.com.br
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