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Tecnologia cria ‘mar verde’ contra a seca no sertão da Bahia

Um projeto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) está transformando os desafios climáticos do semiárido brasileiro. Desde 2017, a iniciativa Projeto Forrageiras para o Semiárido está criando um ‘novo mar verde do sertão’ através de plantas adaptáveis para a alimentação de rebanhos durante os períodos de estiagem.

Espécies como a palma forrageira e capins estão sendo introduzidas na região, principalmente, para ração animal devido à alta resistência no Semiárido brasileiro. Desde 2017, o projeto já impactou cerca de 10,4 mil produtores rurais.

A primeira etapa do projeto avaliou 30 espécies de forrageiras cultivadas em regime de sequeiro. O objetivo era descobrir quais apresentariam melhor desempenho diante das condições típicas do Semiárido, marcadas por altas temperaturas e escassez de água.

Com os resultados obtidos, os pesquisadores avançaram para uma nova fase, incluindo o pastejo dos animais nas áreas experimentais. Dessa forma, foi possível verificar o comportamento das espécies em situações reais de produção pecuária.

Na Fazenda Várzea de Baraúna, em Miguel Calmon (BA), José Santos Souza de 65 anos, começou a escolher forrageiras adaptadas às condições da região, manejar corretamente as pastagens e aproveitar cada recurso disponível, inclusive com captação de água da chuva.

Atualmente, a propriedade de Seu Zé trabalha com silagem, palma forrageira, capins adaptados, pastagens rotacionadas e concentrado produzido na própria fazenda.

Há dois anos, José começou a receber assistência técnica do Projeto Forrageiras para o Semiárido e começou a implantar em sua propriedade o capim Paiaguás em uma área degradada, após realizar análise de solo e correção da acidez com calcário.

Segundo ele, o resultado com o Paiaguás foi superior ao obtido com o capim utilizado anteriormente. “Agora eu quero plantar só ele”, afirma, ao explicar que a espécie apresenta boa capacidade de rebrota e melhor desempenho na propriedade.

Quando iniciou a atividade em 2009, possuía 14 vacas e produzia aproximadamente 40 litros de leite por dia. Hoje, ele tem 30 animais e 21 estão em lactação.

A produção diária chegou a aproximadamente 441 litros e a meta é alcançar 500 litros por dia. Souza conta que em 2023 chegou a produzir 615 litros diários com 32 vacas em produção.

Além da seleção de espécies resistentes à seca, a iniciativa também investe em novas tecnologias para ampliar a produção de alimento para os animais.

Em parceria com diferentes instituições, pesquisadores estão testando um fertilizante foliar à base de moléculas de carbono aplicado diretamente na palma forrageira, uma das principais fontes de alimentação dos rebanhos no Semiárido.

A expectativa é aumentar a produtividade da cultura, melhorar o aproveitamento da adubação nitrogenada e elevar a qualidade nutricional do alimento oferecido aos animais.

Fonte: A tarde


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