A trajetória de Gideon Cardoso é marcada pela intersecção entre o rigor acadêmico da história e a vivacidade do turismo em Salvador. Natural de Nova Canaã, Gideon buscou na capital baiana as oportunidades que faltavam em sua cidade natal. Após graduar-se em História pela Universidade Federal da Bahia, ele encontrou na profissão de guia de turismo uma forma de compartilhar a riqueza cultural e as belezas naturais do estado, consolidando-se como uma referência no setor.
O início da carreira e a formação do Guia Gil
O ingresso de Gideon no turismo ocorreu de forma orgânica, incentivado por uma guia chilena que conheceu durante seus estudos. Inicialmente atuando como motorista, ele aproveitou a oportunidade para aprender com profissionais experientes, como Maria Bachelotti. Em 1985, obteve sua certificação oficial pela Bahiatursa, adotando o nome profissional de Guia Gil e passando a utilizar seu próprio veículo para conduzir visitantes pelos pontos mais emblemáticos da capital.
Sua formação acadêmica em história conferiu um diferencial competitivo ao seu trabalho. Enquanto conduzia grupos pelo Pelourinho, Farol da Barra e outros marcos, Gideon aprofundou-se em temas complexos, como as religiões de matriz africana e a capoeira. Essa bagagem permitiu que ele oferecesse aos turistas uma narrativa profunda sobre a identidade baiana, indo muito além dos roteiros superficiais e tradicionais.
Desafios e a arte de conduzir grandes grupos
A transição para o atendimento de grandes grupos representou um marco em sua carreira. Gideon relembra o nervosismo inicial ao encarar um ônibus com 45 pessoas, um desafio que exigiu adaptação rápida e domínio da oratória. Com o tempo, a prática transformou o medo em habilidade, permitindo que ele conduzisse excursões complexas com naturalidade, sempre mantendo o foco na valorização cultural de ícones como Jorge Amado e Dorival Caymmi.
Mesmo após dedicar 18 anos à direção escolar na rede pública, o espírito de guia nunca abandonou Gideon. Agora aposentado, ele planeja retornar à atividade com roteiros especializados, focados em ordens religiosas e na história católica. Ele defende que a qualificação profissional e a fiscalização rigorosa são pilares essenciais para manter a qualidade do serviço oferecido aos visitantes que chegam à Bahia.
A música como motor da economia turística
Salvador, reconhecida pela Unesco como Cidade Criativa da Música, utiliza o ritmo como um ativo econômico vital. A força do axé, do samba-reggae e do ijexá atrai turistas durante todo o ano, combatendo a sazonalidade. Profissionais como a produtora cultural Fau Motta destacam que a música atua como o principal motivador de viagens, movimentando uma vasta cadeia que inclui hospedagem, transporte e gastronomia.
O Olodum exemplifica esse impacto, consolidando-se como um símbolo de resistência e propagador da cultura afro-baiana. Com quase cinco décadas de história, o grupo mantém uma agenda constante de ensaios e aulas públicas, como as realizadas na Casa do Olodum, que atraem visitantes de diversas partes do mundo e reforçam o papel da cultura como pilar do desenvolvimento econômico local.
Fonte: atarde.com.br
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