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Vasco aguarda decisão judicial para destravar venda da SAF de R$ 3 bilhões

Vasco aguarda decisão judicial para destravar venda da SAF de R$ 3 bilhões

O futuro da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco da Gama permanece em um compasso de espera, dependendo de uma autorização da Justiça para o avanço das negociações. O clube carioca, que busca viabilizar um aporte financeiro robusto, aguarda uma decisão da juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, para dar início ao processo competitivo de venda da unidade de negócio.

O empresário Marcos Lamacchia, principal interessado na aquisição, reforçou a expectativa pela liberação oficial. Segundo o investidor, o andamento do projeto está condicionado à abertura do leilão, etapa fundamental para a formalização do negócio. A situação gera apreensão nos bastidores de São Januário, onde a cúpula vascaína avalia que todos os requisitos técnicos e jurídicos já foram cumpridos para o prosseguimento da transação.

Impasses jurídicos e o papel do gatekeeper

A demora na autorização judicial tem sido alvo de questionamentos por parte do clube e do investidor. Tanto o Vasco quanto Lamacchia sustentam que o processo competitivo já deveria ter sido deflagrado, citando manifestações favoráveis do Ministério Público e da administração judicial. A magistrada, contudo, aguarda o parecer do gatekeeper, cargo ocupado pelo ex-procurador-geral de Justiça Eduardo Gussem, responsável pela fiscalização da recuperação judicial do clube.

A expectativa é que, com a liberação, o clube possa evitar a necessidade de novos empréstimos emergenciais, uma vez que as tentativas de captação de recursos externos foram bloqueadas pela mesma instância judicial. A conclusão rápida da venda é vista como o caminho mais viável para a estabilização financeira imediata da instituição.

Estrutura do processo competitivo e proposta de referência

A proposta apresentada pela Almirante Participações, empresa ligada a Marcos Lamacchia, servirá como baliza para o processo competitivo da UPI Equity. O modelo permite que outros interessados apresentem ofertas, mas garante ao investidor original o direito de igualar valores superiores para manter a preferência na aquisição.

Mesmo que a oferta de Lamacchia seja declarada vencedora, o negócio ainda precisará passar pelo crivo dos órgãos internos do clube. A aprovação final dependerá do Conselho Deliberativo e da Assembleia Geral do Vasco, garantindo que a transação siga todos os protocolos estatutários antes da efetivação da venda da SAF.

Detalhamento do aporte bilionário

O acordo em negociação, avaliado em pouco mais de R$ 3 bilhões, foi desenhado para sanar o passivo e impulsionar a competitividade do futebol. O plano de distribuição dos recursos contempla o pagamento de dívidas, que somam aproximadamente R$ 1,3 bilhão, e a cobertura do déficit de caixa projetado para os próximos cinco anos, estimado com base em estudos da Alvarez & Marsal.

Além da reestruturação financeira, o montante prevê investimentos diretos na infraestrutura e no elenco:

  • R$ 1 bilhão para quitação de dívidas e débitos tributários.
  • R$ 1,5 bilhão para cobrir o déficit operacional de cinco anos.
  • R$ 500 milhões destinados a contratações e investimentos no futebol.
  • R$ 120 milhões para a modernização do centro de treinamento profissional.
  • R$ 30 milhões para melhorias nas categorias de base.

A concretização do negócio ainda enfrenta desafios paralelos, como as tratativas com a A-CAP e disputas na Arbitragem da FGV. O sucesso da operação depende, portanto, de um alinhamento complexo entre as exigências judiciais, as auditorias em curso e a resolução de pendências contratuais externas.

Fonte: atarde.com.br


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