Um levantamento realizado pelo McKinsey Global Institute aponta que cerca de 56% das horas trabalhadas no Brasil possuem potencial para serem automatizadas com o uso de tecnologias já disponíveis. A transição tecnológica é vista como um motor capaz de destravar até US$ 135 bilhões na economia nacional até o ano de 2030, colocando o país em uma posição de destaque na América Latina, atrás apenas do México.
Potencial de transformação na economia nacional
O cenário de automação no Brasil aproxima o país de patamares observados em nações como o Chile. Enquanto potências globais, incluindo Coreia do Sul, Singapura, Alemanha e Japão, lideram a corrida pela automação industrial para mitigar os efeitos do envelhecimento populacional e da baixa produtividade, o Brasil ainda equilibra essa agenda com debates internos sobre a estrutura trabalhista.
Atualmente, o país concentra atenções em discussões sobre o custo da contratação via CLT, a insegurança jurídica e a viabilidade da escala 6×1. Especialistas alertam que o encarecimento da hora trabalhada, caso não venha acompanhado de um salto real na produtividade, pode acelerar a substituição de postos de trabalho por máquinas, elevando o risco de desemprego estrutural.
Tecnologias e o futuro das funções humanas
A implementação de novas ferramentas abrange diversas frentes, desde carros autônomos e lojas sem caixas até robôs de entrega e galpões operados inteiramente por sistemas automatizados. Funções repetitivas, como a operação de caixas, atividades de telemarketing, conferência de estoques e rotinas administrativas, são as mais suscetíveis à substituição tecnológica.
Apesar da automação, a projeção é de que 78% das habilidades demandadas no mercado brasileiro continuem dependendo fundamentalmente do trabalho humano. O McKinsey Global Institute destaca que a demanda deve migrar para profissionais especializados em construir e manter essas máquinas, como analistas de dados, técnicos de manutenção e especialistas em inteligência artificial.
O crescimento da economia do cuidado
Além das áreas técnicas, o futuro do mercado de trabalho aponta para a valorização da chamada economia do cuidado. Setores como saúde e educação, que exigem interação humana constante, empatia e julgamento complexo, tendem a ganhar espaço e relevância no cenário econômico.
Essa transição reforça a necessidade de requalificação profissional para que a força de trabalho brasileira consiga se adaptar às novas exigências. O equilíbrio entre a adoção de tecnologias de ponta e a preservação de funções que dependem do toque humano será o principal desafio para o desenvolvimento econômico do país na próxima década.
Fonte: atarde.com.br
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