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Bahiafarma amplia investimentos e projeta soberania sanitária com foco em medicamentos biológicos

Bahiafarma amplia investimentos e projeta soberania sanitária com foco em medicamentos biológicos

A Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma), vinculada à Secretaria de Saúde do estado, atravessa um momento de reestruturação estratégica. Sob a gestão da infectologista Ceuci de Lima Xavier Nunes, a instituição busca consolidar sua posição como um pilar essencial para a soberania sanitária brasileira, focando na modernização de sua planta industrial e na ampliação de parcerias internacionais para a produção de fármacos de alta complexidade.

A trajetória da fundação, criada em 1983, marcada por períodos de extinção e reinauguração, chega a uma nova fase com o objetivo de integrar o portfólio de medicamentos fornecidos ao Sistema Único de Saúde (SUS). O foco atual da gestão é a viabilização de uma infraestrutura capaz de atender às exigências sanitárias contemporâneas e garantir o acesso da população a tratamentos de ponta.

Modernização industrial e expansão da capacidade produtiva

A estruturação da fábrica, localizada em Simões Filho, avança com a aquisição de equipamentos de última geração. Segundo a diretora Ceuci Nunes, a produção de sólidos orais conta com maquinário encomendado sob medida na China e na Argentina, com previsão de chegada para o início de 2027. O rigor técnico é uma prioridade, com vistorias constantes para assegurar a conformidade exigida pela Anvisa.

Além da linha de sólidos, a fundação planeja uma planta dedicada a produtos biológicos. O projeto, que já possui local definido e conta com aporte financeiro do governo estadual, é visto como um passo fundamental para elevar o patamar tecnológico da indústria farmacêutica baiana, embora o processo de instalação e validação exija um cronograma rigoroso de maturação.

Parcerias estratégicas para transferência de tecnologia

Um dos pilares da nova fase da Bahiafarma reside nas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs). A instituição foi selecionada pelo Ministério da Saúde para fabricar anticorpos monoclonais, considerados o que há de mais moderno na indústria farmacêutica global. A estratégia envolve acordos com empresas internacionais, como a indiana Biocon Biologics e a coreana Samsung, visando a transferência de conhecimento técnico.

O modelo de operação baseia-se em um tripé que integra a Bahiafarma, a parceira nacional Bionovis S.A. e as indústrias internacionais. Esse intercâmbio permite que técnicos brasileiros recebam treinamento especializado no exterior, enquanto especialistas estrangeiros acompanham a implementação dos processos na Bahia, garantindo a capacitação necessária para a produção autônoma desses medicamentos no futuro.

Impacto no SUS e acesso a tratamentos de alta complexidade

O foco da produção está voltado para a atenção especializada, com ênfase em oncologia e doenças raras. A expectativa é que a oferta desses medicamentos pelo SUS ocorra a custos significativamente reduzidos em comparação aos preços de mercado. A iniciativa visa atender pacientes com câncer em diversos estágios, incluindo casos com metástase, ampliando o acesso a terapias biológicas que antes apresentavam barreiras financeiras para o sistema público.

A atuação da Bahiafarma, ao registrar produtos junto à Anvisa e estabelecer cadeias de fornecimento globais, projeta um impacto direto na saúde pública. Ao dominar tecnologias complexas, a instituição não apenas reduz a dependência externa, mas também fortalece a capacidade do Brasil em responder a demandas críticas de saúde com agilidade e sustentabilidade econômica.

Fonte: atarde.com.br


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