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Big techs enfrentam julgamento histórico sobre vício de jovens em redes sociais

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Big techs enfrentam julgamento histórico sobre vício de jovens em redes sociais

Um julgamento histórico teve início em Los Angeles, nos Estados Unidos, nesta segunda-feira (09), envolvendo grandes empresas de tecnologia como Meta, responsável pelo Facebook e Instagram, e Alphabet, que controla o Google. Este é o primeiro caso em que essas empresas enfrentam um júri devido a acusações relacionadas a danos à saúde mental de crianças e jovens. A ação foi movida por uma jovem de 20 anos, identificada pelas iniciais K.G.M., que alega ter se tornado viciada em redes sociais durante a infância, em decorrência do design atraente e viciante das plataformas, que, segundo ela, foram criadas para prender a atenção dos usuários por longos períodos.

A jovem e seus advogados afirmam que esse vício resultou em sérios problemas de saúde mental, incluindo depressão profunda, pensamentos suicidas, transtornos alimentares e hospitalizações psiquiátricas. As empresas estão sendo acusadas de priorizar o lucro em detrimento da saúde dos jovens, com os advogados da acusação argumentando que as redes sociais foram intencionalmente projetadas para serem viciantes, com modelos de negócios que favorecem o engajamento a qualquer custo. As estratégias utilizadas pelos advogados lembram as táticas empregadas contra a indústria do tabaco na década de 1990, com a alegação de que as empresas sabiam que estavam vendendo um produto prejudicial.

Em sua defesa, Meta e Google negam as acusações, apresentando argumentos que incluem a responsabilidade de terceiros, com base na Seção 230 da lei americana, que as isenta de culpa pelo conteúdo gerado por usuários. Além disso, afirmam que a segurança dos jovens sempre foi uma prioridade e que existem ferramentas de proteção disponíveis nas plataformas. A defesa também pretende argumentar que os problemas de saúde mental da jovem podem ter outras causas que não estão relacionadas às redes sociais.

Este caso é considerado um "caso líder", o que significa que seu resultado poderá influenciar mais de 2,3 mil processos semelhantes em andamento nos Estados Unidos. O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, e líderes do Instagram e YouTube devem ser convocados a depor. Embora TikTok e Snapchat estivessem inicialmente envolvidos no processo, eles firmaram acordos financeiros secretos com a jovem antes do início do julgamento para evitar a disputa judicial.

Paralelamente, um julgamento no Novo México está em andamento, no qual a Meta é acusada de permitir que predadores sexuais explorem menores em suas plataformas. Em resposta a preocupações semelhantes, países como Austrália, Espanha e Alemanha já começaram a considerar a proibição do acesso de menores de 16 anos a essas redes sociais. O julgamento em Los Angeles deve se estender até março, e a decisão do júri poderá determinar se as grandes empresas de tecnologia serão responsabilizadas financeiramente por "dor e sofrimento", além de estabelecer precedentes para futuras ações judiciais.


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