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Carlos Cordeiro renuncia à Fifa em protesto contra venda de direitos da Copa

Carlos Cordeiro renuncia à Fifa em protesto contra venda de direitos da Copa

A estrutura de governança da Fifa enfrenta uma crise interna significativa após a renúncia de Carlos Cordeiro, um dos principais assessores do presidente Gianni Infantino. O executivo deixou o cargo nesta sexta-feira (31) em um movimento de ruptura direta contra os planos da entidade de comercializar uma participação nos direitos de seus principais torneios, incluindo a Copa do Mundo.

A renúncia de Carlos Cordeiro e o conflito na Fifa

Com uma trajetória marcada pela passagem pelo Goldman Sachs e pela presidência da Federação de Futebol dos Estados Unidos, Cordeiro ocupava um posto estratégico na entidade desde 2021. Sua saída foi formalizada por meio de um comunicado no LinkedIn, onde o ex-dirigente manifestou sua discordância frontal com a estratégia de capitalização da federação internacional.

O projeto em debate propõe a criação de uma nova estrutura empresarial para gerir os ativos comerciais das competições da Fifa, abrindo espaço para a entrada de investidores privados. Segundo Cordeiro, que afirmou não ter participado da elaboração do plano, a medida representa um risco desnecessário ao patrimônio do futebol mundial.

Impactos financeiros e questionamentos sobre a venda

O argumento central de Cordeiro baseia-se na solidez financeira já demonstrada pela instituição. O ex-assessor destacou que a Fifa gerou cerca de US$ 15 bilhões entre 2022 e 2026, montante que, em sua visão, seria suficiente para sustentar o desenvolvimento do esporte sem a necessidade de alienar fatias de seus ativos mais valiosos.

Além da viabilidade econômica, o executivo questionou a falta de transparência sobre pontos nevrálgicos da operação, como:

  • Modelos de governança e supervisão;
  • Identificação dos beneficiários finais;
  • Impactos de longo prazo para o futebol;
  • Riscos operacionais para as federações nacionais.

Reação global e resistência das confederações

A iniciativa de Gianni Infantino enfrenta uma onda de resistência internacional. As 55 associações filiadas à Uefa já se posicionaram contrárias ao projeto, chegando a cogitar um boicote a competições organizadas pela entidade caso a proposta siga em frente. A oposição também conta com o respaldo da Confederação Asiática de Futebol e da Concacaf, que exigem uma revisão profunda nos processos de decisão.

A controvérsia gira em torno da transformação da Copa do Mundo em um produto financeiro de participação privada. Enquanto críticos alertam para a perda de controle sobre as receitas do esporte, a Fifa defende que o sucesso financeiro do torneio de 2026 — realizado nos Estados Unidos, México e Canadá — pavimentou o caminho para novas estratégias de investimento global, conforme reportado pela Fifa.

Fonte: bahianoticias.com.br


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