A produção artesanal de cerâmica no município de Rosário, localizado na Região do Munim, alcançou um marco histórico ao receber o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP). Concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a certificação reconhece a identidade, a qualidade e a tradição centenária das peças produzidas na região, sendo o primeiro selo deste tipo outorgado no Maranhão.
O processo de reconhecimento foi conduzido pela Associação dos Oleiros de Rosário (ASSOR), com o suporte técnico do Sebrae Maranhão. O trabalho envolveu o levantamento minucioso da história local, a sistematização do saber artesanal e a comprovação do vínculo indissociável entre a matéria-prima, extraída do solo rosariense, e o produto final, que abrange desde utilitários domésticos até peças ornamentais.
Valorização do saber artesanal e impacto territorial
A Indicação Geográfica funciona como um selo de autenticidade que diferencia a produção de Rosário no mercado nacional. Ao atestar a origem e a reputação das peças, o registro protege o conhecimento acumulado por gerações de oleiros, permitindo que o produto se destaque frente à concorrência industrial de baixo custo. A medida é vista como um catalisador para o fortalecimento da economia local e a preservação do patrimônio cultural imaterial da cidade.
Trajetória de superação e renovação técnica
A história de Amarildo Silva, atual representante da ASSOR, ilustra a resiliência da profissão. Embora não tenha nascido em uma família de ceramistas, Silva iniciou sua trajetória como diarista em uma olaria, onde dominou o manejo do barro e as técnicas de queima. Sua atuação exemplifica como a tradição pode ser preservada ao mesmo tempo em que absorve elementos contemporâneos, garantindo a longevidade da atividade artesanal.
Estratégias para o desenvolvimento regional
O reconhecimento oficial abre portas para a integração da cerâmica com o setor turístico, especialmente pela localização estratégica de Rosário, que serve como rota de acesso aos Lençóis Maranhenses. A expectativa é que a visibilidade gerada pelo selo do INPI atraia visitantes interessados em conhecer o processo produtivo, transformando as olarias em pontos de visitação cultural.
Além do impacto comercial, a certificação impulsiona o projeto de criação de centros de ensino voltados aos jovens da região. O objetivo é garantir a sucessão do ofício, assegurando que o conhecimento técnico dos mestres oleiros continue sendo transmitido e que a cerâmica de Rosário permaneça como um pilar de identidade e sustento para as futuras gerações.
Fonte: g1.globo.com
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