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Gigante do varejo dispara na Bolsa após parceria com Mercado Livre

Acordo prevê venda de 27 mil produtos do estoque próprio do Magalu no marketplace do Mercado Livre

As ações do Magazine Luiza (MGLU3) dispararam na Bolsa de Valores nesta quarta-feira, 2, após a varejista anunciar uma nova parceria comercial com o Mercado Livre (MELI34).

Os papéis da companhia chegaram a registrar alta de 24%, alcançando R$ 5,74 às 12h14, na máxima do dia. Às 13h30, as ações avançavam cerca de 21%, cotadas a R$ 5,58. Mais cedo, às 12h05, a valorização era de 22,94%, com os papéis negociados a R$ 5,68.

O acordo prevê que o Magalu disponibilize aproximadamente 27 mil produtos de estoque próprio no marketplace do Mercado Livre. A operação começou a ser colocada em prática nesta quarta-feira, com as vendas previstas para começar em setembro.

O que muda com a parceria

Além do Magazine Luiza, o acordo inclui produtos da KaBuM! e da Época Cosméticos. A Netshoes também poderá ser incorporada posteriormente à operação.

Os itens disponibilizados incluem categorias como eletroeletrônicos, móveis, games, informática, cosméticos e perfumaria. A entrega dos produtos comercializados na plataforma será realizada pela Magalog, braço logístico do grupo.

Segundo o Magalu, a estratégia faz parte do movimento da companhia para ampliar as vendas digitais por meio de marketplaces parceiros. O acordo também possui cláusulas de reciprocidade e não exclusividade.

A parceria com o Mercado Livre se soma a outros acordos comerciais firmados pela empresa com Amazon, AliExpress, Americanas, Itaú Shopping e Livelo.

“A audiência do e-commerce brasileiro está cada vez mais pulverizada, com várias plataformas disputando a atenção dos clientes”, afirmou o CEO do Magalu, Frederico Trajano.

Segundo ele, a estratégia é combinar a audiência dos próprios canais da empresa com a de outras plataformas para acelerar as vendas online no curto prazo e de maneira rentável, declarou.

Fernando Yunes, vice-presidente executivo e líder do Mercado Livre na América Latina, também destacou o aumento do número de categorias e produtos disponíveis aos consumidores.

“Com as marcas do grupo Magalu na plataforma, chegamos a mais categorias, mais produtos e mais opções para quem compra online”, afirmou.

Analistas avaliam acordo de forma positiva

 Ativa Investimentos considerou a parceria favorável para as duas companhias. Para a casa de análise, o Magalu passa a contar com mais um canal de vendas, com possibilidade de obter uma margem superior àquela alcançada por meio de mídia paga.

Para o Mercado Livre, o principal ganho estaria na ampliação da oferta de produtos de linha branca e móveis, segmentos nos quais a plataforma ainda possui baixa penetração.

A XP Investimentos também avaliou o anúncio positivamente para o Magalu. A corretora vê potencial de crescimento nas vendas de produtos de primeira linha (1P) no quarto trimestre de 2026, em um movimento semelhante ao observado na Casas Bahia a partir do quarto trimestre de 2025.

A avaliação considera ainda que a companhia inicia o quarto trimestre de 2026 com um potencial selo Prime e alguns meses de aprendizado na operação de vendas por meio de parceiros.

O Magalu estima que aproximadamente 75% dos consumidores que comprarem pela plataforma do Mercado Livre serão novos clientes da varejista, o que tende a reduzir a canibalização entre os canais no curto prazo.

Mercado Livre pode ampliar logística com lojas do Magalu

 XP também apontou possíveis ganhos logísticos para o Mercado Livre. As cerca de 1.200 lojas físicas do Magalupoderiam, futuramente, ser utilizadas como pontos de retirada e devolução de mercadorias.

A Magalog também pode eventualmente contribuir para a entrega dos produtos comercializados na plataforma.

Existe ainda a possibilidade de ampliar as alternativas de entrega para mercadorias com mais de 30 quilos, segundo a companhia.

Apesar das oportunidades, a XP considera que o acordo tem caráter mais estratégico do que transformador para o Mercado Livre.

O volume bruto de mercadorias movimentado pelo Magalu representa menos de 15% do GMV do Mercado Livre no Brasil, enquanto o da Casas Bahia corresponde a menos de 6%. Além disso, apenas parte dos produtos das varejistas será disponibilizada no marketplace.

Para a XP, a parceria funciona principalmente como uma forma de fortalecer a atuação do Mercado Livre em categorias específicas, sem exigir grandes investimentos em logística. Por isso, a corretora não considera o acordo um catalisador relevante para o crescimento do GMV.

Magalu também atualiza serviço de entregas

Além da parceria com o Mercado Livre, o Magalu atualizou sua operação de quick-commerce.

O aplicativo da companhia passou a contar com uma nova aba chamada “Magalu Delivery”, que reúne acesso à rede de restaurantes, supermercados e farmácias operada pelo Aiqfome, plataforma de entregas adquirida pelo grupo em 2020.

A companhia também avalia que poderá conquistar parte do mercado deixado pela Casas Bahia, que passa por recuperação judicial e teve fechamentos recentes de lojas.

Apesar disso, a XP ressalta que um cenário macroeconômico desfavorável pode limitar a recuperação da varejista. No longo prazo, a corretora ainda considera possível o risco de canibalização entre os próprios canais de venda do Magalu.

Fonte: A Tarde


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