Hoje, 8 de outubro, Dia do Nordestino, é dia de celebrar aquilo que ninguém pode nos tirar: o orgulho de sermos nordestinos. Eu sou uma nordestina arretada de orgulhosa por ter nascido nesta região linda, rica em cultura, história, diversidade e biodiversidade. Sou filha de uma terra de gente trabalhadora, resiliente, acolhedora e determinada, que aprendeu a transformar dificuldades em força e esperança.
Mas esta data também precisa servir para uma reflexão. Ainda convivemos com manifestações de xenofobia e preconceito contra o povo nordestino, muitas vezes disfarçadas de brincadeira. São palavras que ofendem, estereótipos que diminuem e tentativas de desvalorizar nossa cultura, nosso sotaque, nossa história e até as riquezas naturais da nossa região. Não podemos normalizar esse tipo de comportamento.
A nossa cultura não precisa da aprovação de ninguém para ter valor. Nossa música, nossa literatura, nossa culinária, nossas festas populares, nossas tradições e nosso jeito de falar fazem parte da identidade do Brasil. E a nossa biodiversidade é igualmente extraordinária. A Caatinga, os rios, as serras, as praias e tantos outros patrimônios naturais do Nordeste são riquezas que merecem respeito, valorização e preservação — não palavras usadas para diminuí-las.
Quem tenta inferiorizar o Nordeste precisa compreender que nenhum sotaque torna alguém inferior, nenhuma origem determina a capacidade de uma pessoa e nenhuma região precisa diminuir outra para provar o seu próprio valor. Preconceito não é opinião; é uma forma de desrespeito que precisa ser enfrentada. E combater a xenofobia não significa responder com outro preconceito, mas afirmar, com orgulho e conhecimento, o valor da nossa identidade.
Hoje, no Dia do Nordestino, eu celebro minhas raízes e levanto a voz em defesa da minha gente. Podem tentar diminuir o Nordeste com palavras, mas não conseguirão diminuir a nossa história, a nossa cultura, a nossa natureza e, principalmente, a força do nosso povo. Ser nordestino não é motivo para abaixar a cabeça. É motivo para levantá-la ainda mais alto.
DRª Marlene Reis
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