A circulação de novas substâncias psicoativas em ambientes de entretenimento noturno no Brasil acendeu um alerta nas autoridades de saúde e segurança pública. Pela primeira vez em âmbito global, a presença de duas substâncias análogas à cetamina — a desclorocetamina (DCK) e a 2-fluorodesclorocetamina (2-FDCK) — foi confirmada em amostras de saliva humana coletadas de frequentadores de festas e festivais realizados em São Paulo.
A descoberta, que marca um precedente inédito na toxicologia forense, foi oficializada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A identificação das substâncias ocorreu por meio do Projeto Baco, uma iniciativa que monitora o consumo de entorpecentes em eventos através da análise de fluidos orais, com suporte técnico do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campinas (CIATox-Campinas), vinculado à Unicamp.
Monitoramento e identificação de novas substâncias
O Alerta Rápido nº 08/2026, emitido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), detalha que não havia registros anteriores dessas substâncias em fluidos orais em nenhum outro país. O monitoramento revelou uma discrepância preocupante entre o que os usuários acreditavam consumir e a composição real das substâncias encontradas.
Muitos dos participantes que forneceram amostras voluntárias relataram o uso de entorpecentes conhecidos popularmente como “bala” ou “MD”. Contudo, as análises laboratoriais confirmaram que, em diversos casos, o material ingerido continha, na verdade, DCK ou 2-FDCK, evidenciando uma adulteração frequente no mercado ilícito de drogas sintéticas.
Riscos à saúde e efeitos dissociativos
Embora a farmacologia da DCK e da 2-FDCK ainda seja objeto de estudos limitados, as autoridades alertam para os riscos significativos associados ao consumo. Assim como a cetamina, essas substâncias possuem propriedades dissociativas, capazes de provocar alterações profundas na percepção sensorial e no estado de consciência do indivíduo.
Os efeitos colaterais documentados incluem quadros de agitação intensa, alucinações, taquicardia e elevação da pressão arterial. A redução do nível de consciência, um dos efeitos mais perigosos, coloca os usuários em situação de vulnerabilidade extrema, especialmente em ambientes de aglomeração onde o suporte médico imediato pode ser dificultado.
Atuação do Sistema de Alerta Rápido
O Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR) atua como uma rede multidisciplinar integrada ao Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid). O objetivo central da entidade é identificar precocemente o surgimento de novas substâncias e mudanças nos padrões de consumo que representem ameaças à saúde pública.
A partir da detecção dessas novas drogas, o sistema busca orientar as ações de vigilância e prevenção em todo o território nacional. A circulação desses compostos em festivais reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes de redução de danos e de um monitoramento constante sobre a composição química dos entorpecentes que chegam ao público jovem.
Fonte: bnews.com.br
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
