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Estupro de vulnerável atinge mais da metade das vítimas no Rio de Janeiro

Estupro de vulnerável atinge mais da metade das vítimas no Rio de Janeiro

Dados alarmantes do Instituto de Segurança Pública (ISP) revelam que o Rio de Janeiro enfrenta uma crise severa de violência contra crianças e adolescentes. No primeiro trimestre de 2026, os registros de estupro de vulneráveis — vítimas com menos de 14 anos — representaram 56% do total de casos de violência sexual no estado. Quando o recorte etário é ampliado para incluir jovens de até 17 anos, o índice alcança a marca de 70%, totalizando 1.086 ocorrências no período.

A prevalência do estupro de vulnerável no estado

Entre janeiro e março de 2026, o estado contabilizou 1.556 estupros, sendo que 875 das vítimas tinham menos de 14 anos. O Dossiê Mulher reforça a gravidade do cenário, indicando que meninas entre 0 e 11 anos representaram 49% das vítimas de estupro de vulnerável em 2025. Somando-se a parcela de adolescentes entre 12 e 17 anos, o grupo de menores de 18 anos compõe mais de 80% das vítimas totais de violência sexual no território fluminense.

Bárbara Caballero, diretora-presidente do ISP, destaca que meninas de 13 anos figuram como o grupo mais atingido, com 585 vítimas registradas no último ano. A vulnerabilidade, definida legalmente para menores de 14 anos, independe de consentimento ou histórico sexual da vítima, conforme estabelece a Súmula 593 do Superior Tribunal de Justiça.

Relatos de abuso e o papel da Dcav

A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) atua como ponto central no acolhimento dessas famílias. Em fevereiro de 2026, uma mãe buscou a unidade após notar sinais físicos de abuso em sua filha de apenas 3 anos. A criança, ao ser questionada sobre a vermelhidão na região íntima, relatou de forma direta o ocorrido, mencionando o pai. A delegada titular, Maria Luiza Machado, ressalta que, devido ao estágio de desenvolvimento cerebral, crianças dessa idade não passam por depoimento especial, procedimento reservado geralmente a partir dos 6 anos.

O caso expõe o trauma enfrentado por responsáveis que buscam justiça. A mãe, que também foi vítima de violência sexual pelo ex-marido em 2024, descreve o sentimento de culpa e o processo de reconstrução. A advogada Tayane Caruso, do programa Empoderadas, acompanha o caso e enfatiza a importância de reunir laudos periciais robustos para garantir o indiciamento do suspeito, alertando que agressores desse perfil costumam atuar de forma recorrente.

Debate jurídico sobre a vulnerabilidade absoluta

Embora a legislação brasileira tenha sido reforçada recentemente para garantir que a vulnerabilidade de menores seja absoluta, o sistema judiciário ainda enfrenta desafios. Decisões baseadas no conceito jurídico de distinguishing têm sido utilizadas em tribunais para buscar exceções em casos de estupro de vulnerável, gerando controvérsias. O debate ganhou força após episódios em que magistrados alegaram a existência de vínculos afetivos para justificar absolvições, decisões que posteriormente foram alvo de revisão e críticas por parte de órgãos de controle.

A proteção da criança e do adolescente permanece como o eixo central das políticas de segurança pública. O combate a esses crimes exige não apenas a punição rigorosa dos agressores, mas também uma rede de suporte psicológico e jurídico eficiente para que as famílias consigam romper o ciclo de violência e buscar a reparação necessária.

Fonte: g1.globo.com


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