O forró, gênero musical que é pilar da identidade cultural nordestina, deu um passo decisivo rumo ao reconhecimento estadual na Bahia. O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC-BA) oficializou a abertura do processo de registro especial para conferir às Matrizes Tradicionais do Forró o status de Patrimônio Imaterial do Estado. A medida, formalizada pelo diretor-geral do órgão, Marcelo Ferreira Lemos Filho, visa fortalecer a proteção do gênero, que já detém o reconhecimento nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2021.
Embora o avanço seja celebrado por especialistas e artistas, a expectativa agora se volta para a implementação de políticas públicas efetivas. Alessandra Gramacho, pesquisadora e figura central no mapeamento das Matrizes do Forró, ressalta que o reconhecimento oficial deve ser acompanhado por um compromisso concreto com a salvaguarda do gênero. Segundo a especialista, o setor aguarda ansiosamente pelo chamamento estadual para colocar em prática as medidas necessárias à preservação e promoção dessa manifestação cultural.
Plano de salvaguarda e o futuro das matrizes culturais
Desde 2022, existe um plano estruturado com 35 propostas de ação voltadas à proteção do forró na Bahia. Este documento foi construído de forma coletiva, integrando o trabalho do Fórum Forró de Raiz, mapeamentos mentais produzidos por detentores do saber e diretrizes internacionais. O objetivo principal é garantir a sustentabilidade cultural, criando condições para que as tradições, danças e modos de fazer do forró continuem a ser transmitidos entre gerações.
O plano de salvaguarda atua como um acordo de intenções, estabelecendo metas de curto, médio e longo prazo. Essas ações seguem as diretrizes do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI) e da Convenção de 2003 da UNESCO. A priorização das medidas é definida diretamente pelas comunidades detentoras, garantindo que as intervenções respeitem os contextos específicos de cada expressão cultural e fortaleçam a viabilidade do bem a longo prazo.
O rigor técnico para o registro de bens imateriais
Para que uma manifestação seja inscrita no livro de registros do estado, é necessário um processo técnico rigoroso. O procedimento envolve a criação de um dossiê detalhado, que documenta a importância histórica, social e cultural do bem. Após a coleta de dados pela Secretaria de Cultura, o material é submetido ao Conselho Estadual de Cultura, que emite um parecer técnico para a deliberação final sobre o tombamento imaterial.
O conceito de patrimônio imaterial abrange saberes, celebrações, formas de expressão e modos de fazer que definem a ancestralidade de um povo. O reconhecimento oficial pelo IPAC-BA não apenas valida a importância do forró, mas também abre portas para políticas de fomento e proteção que garantem a continuidade dessas tradições frente aos desafios da modernidade.
A busca pelo reconhecimento mundial na UNESCO
Além da esfera estadual, o forró almeja um patamar global: o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Este movimento, que conta com o apoio de artistas como o cantor e compositor Del Feliz, busca elevar o gênero a um nível de proteção internacional. O processo, iniciado em 2011, segue em análise pelos órgãos competentes e, devido à fila de prioridades, a expectativa é que o reconhecimento mundial possa ser consolidado até 2030.
Fonte: bahianoticias.com.br
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