O governo Lula decidiu, inicialmente, preservar o Supremo Tribunal Federal (STF) da convocação de delegados da Polícia Federal (PF) para que retornassem a seus postos originais. Nesta semana, o Ministério da Justiça enviou ofícios a mais de 50 órgãos da administração pública, incluindo esferas federal, estadual e municipal, solicitando a devolução de policiais que estavam emprestados, para que pudessem retomar suas funções nos órgãos de origem.
Além dos delegados da PF, a convocação abrangeu também integrantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e policiais penais federais. No total, mais de cem profissionais estão emprestados e devem ser devolvidos aos seus respectivos órgãos.
Os ofícios foram enviados a tribunais federais e estaduais, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde quatro delegados estavam despachando. No entanto, o STF foi poupado dessa convocação. Na quinta-feira, dia 18, a assessoria do tribunal informou que não havia recebido qualquer ofício do Ministério da Justiça solicitando a devolução dos delegados, informação que foi confirmada pela pasta.
Um membro do Ministério da Justiça explicou que a exceção foi feita para não prejudicar investigações em andamento. Os delegados da PF que estão emprestados ao STF atuam, por exemplo, nos gabinetes dos ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes e André Mendonça. Os dois últimos são responsáveis por relatar investigações complexas, incluindo aquelas que envolvem a família de Jair Bolsonaro, além de casos relacionados ao Banco Master e ao INSS.
Em abril, Lula fez um discurso em que afirmou ter determinado a devolução de "agentes ou delegados que estão aí em outro lugar [que não a PF] fingindo que estão trabalhando". Ele destacou que esses profissionais agora iriam contribuir para o combate ao crime organizado, afirmando que "todos vão ter que voltar porque nós vamos derrotar o crime organizado nesse país". O presidente acrescentou que o retorno seria necessário para que delegados e agentes ajudassem a "prender os bandidos desse país".
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