O governo federal adotou uma postura cautelosa em relação à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1. Apesar da pressão de parlamentares governistas pela celeridade da medida, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não confrontar o comando do Congresso Nacional, focando especialmente na preservação da relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Estratégia de diálogo e cautela política
A decisão de não tensionar o ambiente legislativo ocorre após a recente retomada do diálogo entre o Palácio do Planalto e a presidência do Senado. Integrantes do governo avaliam que um desgaste direto com Alcolumbre poderia comprometer outras pautas prioritárias da agenda econômica e administrativa, tornando a tramitação da PEC um risco político desnecessário neste momento.
Embora a pressão pública por parte de alguns aliados continue, o presidente do Senado tem sinalizado a interlocutores que pretende seguir rigorosamente os prazos regimentais da Casa. Segundo a cúpula do Senado, é improvável que a proposta avance no plenário antes da realização das eleições, mantendo o tema em compasso de espera legislativa.
Transferência da responsabilidade política
Para manter o tema em evidência sem atacar a presidência do Senado, a estratégia adotada pelos governistas consiste em redirecionar o foco da resistência para a oposição. O Partido dos Trabalhadores (PT) tem articulado um discurso que atribui a dificuldade de aprovação da PEC à atuação de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A narrativa busca consolidar a ideia de que parlamentares da oposição atuam contra os interesses dos trabalhadores. O PT tem destacado o comportamento de senadores que registraram votos contrários à matéria durante a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a votação ocorreu de forma simbólica.
Oposição na mira do debate legislativo
A ofensiva política mira nomes de peso da oposição que se posicionaram contra o texto. Entre os parlamentares que registraram oposição à proposta estão o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN), além de Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO).
Ao expor esses posicionamentos, o governo tenta desgastar a imagem da oposição perante o eleitorado, utilizando o jargão de que o grupo seria um “Congresso inimigo do povo”. A manobra visa manter a pauta viva no debate público enquanto o governo preserva sua governabilidade e o trânsito político com a liderança do Senado, conforme reportado pelo portal Política Livre.
Fonte: politicalivre.com.br
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
