As associações de servidores Asteba e Asseba, sob investigação por supostas fraudes envolvendo o Banco Master, detinham uma carteira estimada em R$ 1 bilhão na Bahia em 2025. Os dados, que integram o inquérito da Polícia Federal (PF) sobre as operações da instituição financeira, revelam que as entidades acumulavam mais de 103 mil autorizações de desconto diretamente nos contracheques de funcionários públicos estaduais.
Conexões entre associações e o Banco Master
As entidades foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. O inquérito aponta que as associações, ligadas ao empresário Augusto Lima — ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master —, teriam sido utilizadas para a criação de carteiras de crédito consignado que foram posteriormente vendidas ao Banco de Brasília (BRB). A investigação sugere que o prejuízo aos cofres do BRB, decorrente dessas transações, pode superar a marca de R$ 5 bilhões.
O Banco Master apresentou versões contraditórias ao Banco Central (BC) sobre a origem dos ativos. Inicialmente, a instituição afirmou que os créditos eram provenientes das associações baianas. Posteriormente, após questionamentos do órgão regulador, o banco passou a atribuir a origem dos créditos à empresa Tirreno. Documentos indicam que, entre janeiro e maio de 2025, o Master revendeu carteiras ao BRB por R$ 12,2 bilhões, montante que incluiu um prêmio de R$ 5,5 bilhões.
Indícios de controle e irregularidades operacionais
Relatórios do Ministério Público Federal (MPF) indicam que Augusto Lima exercia controle sobre a Asteba e a Asseba, mesmo após deixar formalmente a presidência da Asteba em 2008. Entre os elementos que sustentam essa tese estão a utilização de um endereço de e-mail compartilhado entre as associações e a empresa Terra Firma da Bahia, de propriedade de Lima. O empresário, por sua vez, nega as irregularidades e afirma que nunca autorizou o uso das entidades em operações de crédito do banco.
A natureza dos descontos também é alvo de escrutínio. Enquanto o Master buscava validar os ativos como crédito consignado, registros do Governo da Bahia indicam que as cobranças referiam-se, majoritariamente, a mensalidades e serviços associativos, como planos odontológicos e assistência jurídica. A Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb) informou, por meio de nota, que não se manifestaria sobre os contratos de cooperação firmados com tais instituições.
Para mais detalhes sobre o andamento das apurações, acesse a cobertura completa da Folha de S. Paulo sobre o caso.
Fonte: bahianoticias.com.br
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