O medo da violência tornou-se um fator determinante na organização do cotidiano feminino no Brasil. De acordo com a pesquisa Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência, realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, 78% das mulheres afirmam que sua rotina é diretamente alterada pela sensação de insegurança, afetando desde o lazer e a mobilidade urbana até decisões cruciais sobre trabalho e estudos.
O levantamento, que contou com o apoio da Uber, ouviu 1,5 mil pessoas em todo o território nacional. Os dados revelam que a insegurança não é apenas uma percepção abstrata, mas uma barreira concreta que limita o exercício da cidadania e a ocupação dos espaços públicos por parte das mulheres.
A rotina sob vigilância e a restrição de espaços
A percepção de vulnerabilidade é significativamente mais acentuada entre o público feminino. Enquanto 84% dos homens relatam sentir insegurança no dia a dia, o índice entre as mulheres atinge 94%. Essa diferença reflete-se na ocupação de locais considerados de risco, como pontos de ônibus, estações e o próprio transporte público, onde a sensação de insegurança é compartilhada por uma parcela expressiva da população entrevistada.
Para mitigar os riscos, 98% das mulheres adotam estratégias de proteção. Entre as medidas mais comuns estão evitar locais específicos, restringir o uso de celulares em vias públicas, compartilhar a localização em tempo real com conhecidos e evitar sair durante o período noturno. Tais comportamentos evidenciam como a vigilância constante se tornou uma camada adicional de trabalho mental e prático na vida das brasileiras.
Impactos na carreira e no exercício da cidadania
As consequências dessa insegurança extrapolam o âmbito pessoal e atingem a esfera econômica. Aproximadamente 45% das mulheres já abriram mão de oportunidades de trabalho ou de estudo devido ao medo da violência. Além disso, a busca por ambientes mais seguros leva 44% das entrevistadas a considerar a mudança de bairro ou cidade, demonstrando como a falha na segurança pública molda a trajetória de vida e o desenvolvimento profissional.
A avaliação das instituições responsáveis pelo combate à violência é majoritariamente negativa. O Poder Legislativo, o Judiciário e os governos estaduais e federal enfrentam índices de desaprovação superiores a 70% no que diz respeito à eficácia de suas políticas de proteção. Esse cenário reflete diretamente no engajamento político, visto que 78% das mulheres afirmam que propostas específicas para a segurança nas ruas e no transporte público serão decisivas em seus votos nas próximas eleições.
Demandas por políticas públicas e infraestrutura
A solução para o problema, segundo as participantes da pesquisa, exige uma abordagem multifacetada que vai além do policiamento. Cerca de 95% das entrevistadas defendem a expansão dos canais de denúncia e apoio às vítimas, enquanto 93% apontam a necessidade urgente de melhorias na infraestrutura urbana, como iluminação pública e modernização do transporte coletivo.
A diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Vera Vieira, reforça que a segurança deve ser tratada como um pilar da cidadania. Para a especialista, o enfrentamento efetivo da violência contra a mulher requer a redução das desigualdades sociais e econômicas, além de políticas de educação e mudança cultural, conforme detalhado em dados disponíveis na Agência Brasil.
Fonte: bahianoticias.com.br
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
