Um tribunal em Israel decidiu neste domingo (3) prorrogar por dois dias a prisão preventiva do ativista brasileiro Thiago Ávila, que faz parte da flotilha que tentava levar suprimentos à Faixa de Gaza. O ativista espanhol-palestino Saif Abu Keshek também permanece detido. Ambos compareceram a uma audiência em Ashkelon, onde a extensão da prisão foi confirmada, conforme informou Miriam Azem, da organização de defesa dos direitos humanos Adalah.
A flotilha, composta por mais de 50 embarcações, partiu de países como França, Espanha e Itália, mas foi interceptada na madrugada de quinta-feira (30) em águas internacionais próximas à costa da Grécia. A maioria dos 211 detidos foi liberada na sexta-feira (1º), mas Ávila e Abu Keshek foram levados a Israel para interrogatório. As autoridades israelenses acusam os ativistas de terem vínculos com a PCPA, uma organização sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por supostamente atuar em nome do Hamas. Essa acusação foi rejeitada tanto pelo governo espanhol quanto pelos ativistas.
A organização Adalah relatou que se encontrou com os prisioneiros e que Ávila afirmou ter sofrido "brutalidade extrema" durante a interceptação. Segundo a ONG, ele foi arrastado de bruços pelo chão, agredido de forma tão severa que perdeu a consciência duas vezes e está mantido em isolamento com os olhos vendados desde sua chegada a Israel. Abu Keshek também relatou ter sido amarrado, com os olhos vendados, e forçado a permanecer deitado de bruços no chão desde o momento da detenção até sua chegada ao país.
Os governos do Brasil e da Espanha classificaram a ação como um sequestro e exigiram o retorno imediato de seus cidadãos. Em um comunicado conjunto, afirmaram que a ação das autoridades israelenses é flagrantemente ilegal e uma afronta ao direito internacional. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que abordou o que chamou de "flotilha de propaganda" e alegou ter encontrado "preservativos e drogas" a bordo. Essa afirmação foi contestada pelo porta-voz do grupo, que a classificou como desinformação. Israel controla todos os pontos de entrada em Gaza e enfrenta acusações da ONU e de ONGs por impedir a entrada de bens no território.
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