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Justiça da Bahia enfrenta desafio com mais de 19 mil processos pendentes no Tribunal do Júri

Justiça da Bahia enfrenta desafio com mais de 19 mil processos pendentes no Tribunal do Júri

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) registra atualmente um cenário de alta demanda processual, com mais de 19 mil ações relacionadas a crimes contra a vida aguardando julgamento no Tribunal do Júri. Os dados, extraídos do painel Justiça em Números do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com atualização em 30 de junho de 2026, colocam o estado em uma posição de destaque nacional quanto ao volume de processos pendentes nessa esfera.

O Tribunal do Júri é o mecanismo constitucional responsável por julgar crimes dolosos contra a vida, garantindo a participação popular por meio de um conselho de sentença composto por cidadãos sorteados. Para enfrentar o acúmulo de casos, o Judiciário baiano tem buscado estratégias de gestão voltadas à celeridade e ao aumento da produtividade, conforme detalhado pelo juiz de direito Leonardo Carvalho Tenório de Albuquerque, coordenador do projeto TJBA Mais Júri.

Estrutura e funcionamento do procedimento bifásico

A tramitação dos processos no Tribunal do Júri segue um rito específico, dividido em duas fases distintas. Inicialmente, o caso é conduzido por um juiz togado, responsável por avaliar se existem indícios suficientes de autoria e materialidade para que o réu seja submetido ao conselho popular.

Somente após essa instrução completa, que envolve o Ministério Público (MP-BA) e a defesa, o processo pode seguir para a fase de pronúncia. Caso não sejam encontrados elementos mínimos, o magistrado pode optar pela impronúncia ou pela absolvição sumária, encerrando o caso antes da etapa do julgamento pelo júri.

Priorização de casos e metas do Poder Judiciário

Para otimizar o fluxo de trabalho, o projeto TJBA Mais Júri, instituído pelo Decreto Judiciário nº 788/2024, organiza a Bahia em 18 regiões administrativas. Cada unidade conta com juízes coordenadores e auxiliares que atuam em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça para dar vazão ao acervo.

A seleção dos processos segue critérios rigorosos de priorização, focando em metas nacionais que incluem:

  • Identificação e julgamento de processos antigos, acumulados até 2023.
  • Prioridade absoluta para casos de feminicídio e violência doméstica.
  • Ações envolvendo réus presos ou crimes contra crianças e adolescentes.
  • Apoio direto a unidades judiciárias que não possuem juiz titular.

Desafios da celeridade e garantias processuais

O coordenador do projeto ressalta que o esforço concentrado busca reduzir o tempo de tramitação sem comprometer o devido processo legal. A iniciativa articula uma rede composta por advogados, defensores públicos e promotores, utilizando tanto o formato presencial quanto o virtual para viabilizar as audiências.

Desde 2020, o estado observa um crescimento constante na entrada de novos casos, com um salto de 62,6% no volume de processos entre aquele ano e 2025. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram registrados 1.355 novos casos, reforçando a necessidade de ferramentas de gestão contínua para atender à demanda da sociedade baiana.

Fonte: bahianoticias.com.br


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