A União Europeia anunciou a suspensão temporária da importação de carne bovina, carne de aves, ovos e mel provenientes do Brasil. A medida, que entra em vigor na próxima quinta-feira (3/9), reflete o endurecimento das normas sanitárias do bloco, que busca alinhar os produtos importados às suas exigências rigorosas sobre o uso de medicamentos veterinários.
A decisão foi tomada após o Brasil ter sido removido, em maio, da lista de nações que cumprem integralmente as diretrizes comunitárias contra o uso abusivo de antibióticos na pecuária. A restrição impacta diretamente a balança comercial brasileira, que possui no mercado europeu um de seus principais destinos de exportação.
Impactos da suspensão e exigências sanitárias
As normas europeias proíbem terminantemente o uso de antimicrobianos como estimulantes de crescimento ou para o aumento artificial da produtividade do rebanho. Além disso, o bloco veta a aplicação em animais de criação de substâncias que sejam restritas à medicina humana, visando mitigar os riscos à saúde pública global.
Essas diretrizes fazem parte de uma estratégia ampla para combater a resistência antimicrobiana. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), infecções causadas por bactérias resistentes a medicamentos são responsáveis por mais de 1 milhão de mortes anualmente em todo o mundo, configurando uma crise sanitária de proporções globais.
Perspectivas para o mercado de exportação
A duração da sanção varia conforme o setor produtivo. Enquanto existe a expectativa de uma retomada mais célere para os mercados de aves e mel, condicionada aos resultados de auditorias em curso, o setor de carne bovina deve enfrentar um processo de liberação significativamente mais demorado devido à complexidade do ciclo de produção e manejo da espécie.
A Comissão Europeia reforçou que mantém o diálogo institucional aberto com o governo brasileiro. O órgão destacou que o Brasil permanece como um parceiro relevante e que ambos os lados trabalham de forma construtiva para garantir a conformidade com as exigências sanitárias, condição indispensável para a retomada dos embarques.
Contexto diplomático e comercial
A medida ocorre em um momento de sensibilidade diplomática, meses após a assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, que entrou em vigor em maio. O tratado tem enfrentado contestações de agricultores europeus e do governo da França, que exigem maior rigor na fiscalização de padrões sanitários e ambientais.
O impacto financeiro da suspensão é expressivo. Em 2025, o Brasil consolidou-se como o segundo maior exportador de carne bovina para o bloco, com mais de 92 mil toneladas negociadas e um faturamento superior a € 713 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 4,3 bilhões. Até o momento, Bruxelas não fixou um prazo definitivo para o encerramento total das restrições.
Fonte: bahianoticias.com.br
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