Depois de fazer da defesa da soberania brasileira uma das bandeiras de sua campanha, Lula iniciará seu quarto mandato com um desafio central na política externa: administrar a relação com Donald Trump nos dois anos restantes do governo americano. Durante a disputa eleitoral, o petista elevou o tom contra a política dos Estados Unidos para a América Latina.
Integrantes do governo avaliam que a reeleição não eliminará pressões de Washington nem a atuação de aliados do bolsonarismo junto a Trump. A estratégia seguirá combinando defesa da soberania e diálogo, apesar das divergências entre as administrações.
Divergências e sinais trocados na relação bilateral
Lula terá pela frente um presidente americano que já lhe enviou sinais contraditórios. Trump passou de elogios ao petista, a quem recebeu na Casa Branca e chamou de dinâmico, a declarações de que o brasileiro é volátil e de que não poderia se importar menos.
Apesar da relação conturbada, o republicano também deu sinais de disposição para manter o diálogo. Em agosto, durante encontro com o banqueiro André Esteves, Trump demonstrou respeito por Lula, segundo relatos da conversa revelados pela imprensa.
A postura contrasta com a resistência de integrantes do governo americano, especialmente no Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, que elevou o tom nas críticas ao petista e cujos setores impuseram sanções a membros do governo brasileiro.
Negociações comerciais e o impacto das tarifas
Superada a eleição, o governo brasileiro terá de decidir sobre o agrément de Daniel Perez, indicado para a embaixada dos EUA no Brasil. A expectativa é que o aval seja concedido até o fim do ano como gesto de distensão.
Também haverá o desafio de traduzir o discurso de soberania em resultados concretos, a começar pelas tarifas americanas de 37,5%. Segundo interlocutores, Washington sinalizou que as tratativas do tarifaço seriam destravadas após o pleito.
Outros pontos sensíveis incluem o interesse americano por minerais críticos e o combate ao crime transnacional, tema que levou o governo republicano a designar facções brasileiras como organizações terroristas.
Segurança regional e o cerco das potências globais
Um dos focos de atrito será a estratégia de Trump para a América Latina, centrada no combate ao crime e na cooperação militar. Uma das iniciativas do republicano é o Escudo das Américas, coalizão regional que estabelece compromissos de segurança e economia.
Nos bastidores, o governo de Lula rejeita a adesão ao grupo por avaliá-lo como unilateral. Contudo, especialistas apontam que o Brasil poderá negociar formatos de cooperações pontuais em intelig≖ncia sem abrir mão da autonomia nacional.
A disputa geopolítica entre Washington e Pequim também exigirá equilíbrio. O país pretende preservar os laços com a China, seu principal parceiro comercial, enquanto os EUA pressionam por redução da dependência asiática em setores estratégicos, conforme discutido em análises da Reuters.
Fonte: politicalivre.com.br
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
