O que parecia ser um inofensivo caroço na testa de uma mulher de 33 anos, que cresceu de uma ervilha para o tamanho de uma bola de golfe, revelou-se um diagnóstico complexo e surpreendente. Inicialmente avaliada como um cisto, a protuberância escondia um tumor que havia causado uma significativa destruição óssea, levando à descoberta de um tipo raro de câncer do sangue.
A mulher, que hoje tem 38 anos, notou o caroço em setembro de 2021. Após buscar atendimento médico, ela recebeu a avaliação inicial de que se tratava de um cisto e foi encaminhada a um dermatologista. Sem grandes preocupações por parte do profissional, a paciente também não imaginou a gravidade da situação, mesmo enquanto a protuberância continuava a crescer.
Suposto cisto escondia tumor
A verdadeira natureza da massa foi revelada durante o procedimento de retirada. Ao iniciar a intervenção, o dermatologista percebeu que não estava lidando com um cisto comum, mas sim com uma massa que havia comprometido parte do osso. A cirurgia foi interrompida, e a paciente foi encaminhada para exames mais aprofundados.
Uma ressonância magnética subsequente confirmou a presença de um tumor que havia provocado um buraco de aproximadamente três centímetros no crânio. Após novas avaliações, o diagnóstico final foi de mieloma, um tipo de câncer do sangue que afeta principalmente a medula óssea. O caroço era, na verdade, um plasmocitoma, um tumor formado pelo acúmulo de plasmócitos anormais.
Os plasmócitos são células essenciais do sistema imunológico, responsáveis pela produção de anticorpos. No mieloma, a multiplicação descontrolada de células anormais na medula óssea pode enfraquecer os ossos, resultando em dor, lesões e um risco elevado de fraturas.
Sintomas apareceram antes do caroço
Após receber o diagnóstico, a paciente passou a correlacionar outros problemas de saúde que enfrentava desde o fim de seus 20 anos com a doença. Ela relatou ter sentido cansaço intenso, dores nas articulações, sangramentos nasais, hematomas frequentes e dores nas costas e nas costelas.
Exames posteriores indicaram lesões na coluna, nos quadris e nos tornozelos, além de revelar que as células da doença ocupavam 95% da medula óssea. O mieloma pode ser um desafio para diagnosticar, pois seus sintomas se assemelham aos de muitas outras condições. Entre os sinais mais comuns estão:
- Dor nos ossos, especialmente nas costas, quadris, ombros ou costelas;
- Cansaço persistente e fraqueza;
- Falta de ar;
- Infecções recorrentes;
- Hematomas ou sangramentos sem explicação;
- Fraturas causadas pelo enfraquecimento dos ossos;
- Perda de peso não intencional.
É importante ressaltar que a presença desses sintomas não confirma necessariamente um diagnóstico de mieloma, mas quaisquer alterações persistentes ou inexplicáveis devem ser investigadas por um profissional de saúde.
Tratamento contra o mieloma
A paciente foi submetida a uma cirurgia para remover o tumor. Devido à destruição de aproximadamente três centímetros do crânio, os médicos implantaram uma malha de titânio para proteger a área afetada. Em seguida, ela passou por sete meses de sessões semanais de quimioterapia e realizou um transplante de células-tronco.
Atualmente, a mulher continua sob medicação para manter a doença sob controle, embora ainda lide com cansaço intenso e dores ósseas. O mieloma geralmente não é considerado curável, mas os tratamentos disponíveis podem controlar a progressão da doença por períodos prolongados. As opções terapêuticas são individualizadas e podem incluir quimioterapia, medicamentos direcionados às células tumorais, corticoides, radioterapia e transplante de células-tronco.
Fonte: metropoles.com
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
