O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, criticou a decisão dos Estados Unidos de sancionar dois cidadãos e três empresas brasileiras por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em entrevista à TV Record, Durigan enfatizou que o combate ao crime organizado deve ser realizado por instituições nacionais, alertando sobre os possíveis impactos econômicos no sistema financeiro brasileiro e em meios de pagamento, como o Pix.
Durigan destacou que a responsabilidade pela segurança pública no Brasil recai sobre as autoridades locais, como a polícia, os investigadores, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Receita Federal. Ele defendeu a necessidade de um combate rigoroso ao crime organizado, enfatizando que as ações devem ser conduzidas por brasileiros.
O secretário-executivo expressou preocupação com a interferência externa nas decisões que podem afetar a economia do país, o que, segundo ele, comprometeria a soberania nacional. Durigan também alertou que empresas que operam legalmente no Brasil podem ser prejudicadas pelas sanções americanas. Ele questionou as consequências que essas ações poderiam ter sobre empresas legítimas, ressaltando a dificuldade que cidadãos teriam para recorrer a essas decisões.
Durigan propôs que a cooperação internacional no combate ao crime organizado se limite ao compartilhamento de informações. Ele sugeriu que os Estados Unidos poderiam contribuir enviando dados relevantes, assim como o Brasil faz, em vez de impor sanções.
Na quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas Victory Trading, Pixwave e Wave Construções, todas localizadas em São Paulo, e Avenidas Flutuantes, em Lisboa. As sanções foram motivadas por supostos vínculos com o PCC, que é considerado pela administração americana como a maior organização criminosa do Ocidente e uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. Shimada é acusado de ter lavado mais de US$ 30 milhões de forma ilícita, utilizando criptomoedas para transferir os recursos ao Brasil. Com as sanções, todos os bens e ativos dos envolvidos em território norte-americano ou sob a posse de cidadãos dos Estados Unidos estão imediatamente bloqueados.
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