A persistência da pobreza entre gerações na Bahia revela um cenário de baixa mobilidade social, onde a origem familiar atua como um determinante crítico para o futuro econômico dos cidadãos. De acordo com dados do Atlas da Mobilidade Social, divulgado nesta sexta-feira (31), a grande maioria das crianças nascidas em lares com renda abaixo da média brasileira permanece na base da pirâmide econômica ao atingir a vida adulta.
O estudo, desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) em parceria com o Prospera Lab, aponta que três a cada quatro crianças baianas nascidas entre os 50% mais pobres do país tendem a manter essa mesma faixa de rendimento. O levantamento utiliza a mediana de renda domiciliar per capita, fixada em R$ 2.316, como referência para classificar os estratos sociais e medir as chances de ascensão.
Desafios da mobilidade social na Bahia
Os números detalhados pelo relatório expõem a dificuldade de transição entre classes. Entre os 25% mais pobres, o índice de permanência na mesma faixa de renda na fase adulta é de 51,6%. A possibilidade de ascensão para a chamada “Classe Alta” — que compreende o quarto superior da população — é restrita a apenas 8,46% dos indivíduos nascidos abaixo da mediana de renda.
A situação torna-se ainda mais desafiadora ao observar o topo da pirâmide. Apenas 1,36% das crianças nascidas em famílias de menor renda conseguem alcançar o grupo dos 10% mais ricos do Brasil. Esses dados reforçam que fatores como raça, gênero e o ambiente familiar de origem são condicionantes estruturais que limitam as oportunidades de mudança de patamar econômico no estado.
Disparidades regionais e o cenário no Nordeste
O Atlas da Mobilidade Social destaca que a estagnação econômica não é uniforme em todo o território nacional. Enquanto as regiões Sul, Sudeste e partes do Centro-Oeste apresentam probabilidades maiores de mobilidade, o Norte e o Nordeste enfrentam as menores taxas, evidenciando territórios onde a pobreza é mais persistente.
No recorte regional nordestino, 76,7% das crianças nascidas na metade mais pobre da população permanecem nessa condição. A transição para a classe alta na região é estatisticamente rara: apenas 8,07% conseguem integrar o quarto mais rico da população, e apenas 1,36% atingem o estrato dos 10% com maior renda, o que equivale a uma criança a cada 100 nascidas em famílias de baixa renda. Para mais detalhes sobre a metodologia, acesse o portal do Imds.
Fonte: bahianoticias.com.br
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