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Estudo sugere que nuvens artificiais podem mitigar efeitos do El Niño

Estudo sugere que nuvens artificiais podem mitigar efeitos do El Niño

Pesquisadores estão explorando uma abordagem inovadora para amenizar os impactos do El Niño antes que ele se intensifique. A proposta envolve o clareamento artificial de nuvens sobre o Oceano Pacífico, refletindo mais luz solar, embora os modelos utilizados indiquem potenciais consequências indesejadas.

O estudo, publicado na revista Science Advances, investiga uma alternativa de geoengenharia que poderia reduzir eventos extremos associados ao El Niño, embora a implementação prática dessa tecnologia ainda esteja distante.

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Cientistas estudam uma forma de reduzir o El Niño antes que ele cause extremos climáticos. – Crédito: Suthin Saenontad – iStockPhoto

Simulações mostram tentativa de “frear” o El Niño

O fenômeno El Niño ocorre quando as águas do Pacífico tropical oriental aquecem, alterando padrões climáticos globalmente. Está associado a mudanças nas chuvas, secas e temperaturas.

A pesquisa, liderada por Jessica Wan, da Universidade de Chicago, analisou episódios históricos como os de 1997–1998 e 2015–2016. Para isso, a equipe utilizou modelos computacionais que simulam como intervenções artificiais poderiam impactar o clima.

A proposta envolve a dispersão de partículas de sal marinho na atmosfera, utilizando navios equipados com bicos especiais. Essas partículas aumentariam o brilho das nuvens, refletindo uma maior quantidade de energia solar de volta ao espaço.

Os pesquisadores destacaram que o timing da intervenção é crucial. As simulações mostraram que os melhores resultados ocorreram quando o processo começava em junho e se estendia até fevereiro do ano seguinte.

Entre os principais efeitos observados estão:

  • Redução das alterações de temperatura associadas ao El Niño;
  • Mudanças nos padrões de chuva em diversas regiões;
  • Diminuição de alguns efeitos extremos ligados ao fenômeno;
  • Possíveis alterações climáticas fora da região do Pacífico.

Método ainda depende de avanços tecnológicos

Jessica Wan enfatiza que o foco da pesquisa é entender como mudanças oceânicas podem impactar a vida terrestre. “A razão pela qual as pessoas se importariam com isso não é a temperatura em uma caixa no Pacífico, mas como os impactos se traduzem em terra”, afirma.

Apesar dos resultados promissores, a técnica enfrenta limitações significativas. Atualmente, os equipamentos disponíveis não conseguem liberar partículas em volume suficiente. Seriam necessários cerca de 2.400 navios para gerar um efeito significativo.

Ilustração do mapa do mundo com continentes vermelhos para ilustrar aquecimento global e mudanças climáticas
Técnica contra o El Niño poderia esfriar algumas áreas e aquecer outras. – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital

Geoengenharia climática continua sendo controversa

As simulações também revelaram possíveis efeitos adversos. Enquanto algumas regiões poderiam se beneficiar da mitigação do El Niño, outras poderiam enfrentar aquecimento, especialmente em partes da Europa e da Ásia.

Outro aspecto ainda desconhecido são os efeitos de longo prazo. O estudo não avaliou o que ocorreria se a intervenção fosse realizada repetidamente para tentar controlar ciclos climáticos naturais.

A geoengenharia é um tema polêmico entre especialistas. Críticos argumentam que soluções desse tipo podem reduzir a pressão para diminuir as emissões de gases de efeito estufa. Wan, no entanto, defende a continuidade da pesquisa. “Seria irresponsável não investigar, considerando o contexto atual”, conclui.

O estudo evidencia que interferir no clima pode oferecer novas ferramentas contra eventos extremos, mas também ressalta os desafios envolvidos em modificar sistemas naturais complexos.

O post Nuvens artificiais podem enfraquecer El Niño, revela estudo climático apareceu primeiro em Olhar Digital.

Fonte: olhardigital.com.br


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