A Polícia Civil de São Paulo tornou-se alvo de uma investigação rigorosa deflagrada na manhã desta sexta-feira (28/8). A denominada Operação Merx, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), apura um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e extorsão envolvendo agentes públicos e outros suspeitos.
Esquema de extorsão e desvio de cargas
Segundo as investigações, policiais civis exigiam o pagamento de propinas para liberar cargas de aparelhos eletrônicos apreendidas. O grupo solicitava cerca de 70% do valor total das mercadorias para evitar a apreensão integral ou permitir a restituição parcial dos itens, que seriam oriundos de descaminho.
O montante total das vantagens indevidas exigidas pelos agentes é estimado em aproximadamente R$ 2,35 milhões. A prática criminosa visava lucrar diretamente com a retenção ilícita de produtos sob custódia estatal.
Prisões e medidas cautelares da Justiça
A Vara Regional de Garantias de Osasco decretou a prisão preventiva de sete investigados. Entre os alvos da medida estão quatro policiais civis, um advogado e duas pessoas apontadas como responsáveis pelo pagamento das propinas aos agentes.
Além das detenções, a Justiça determinou o afastamento de um investigador de suas funções públicas. O agente também está proibido de manter contato com outros investigados e testemunhas do processo. Para garantir o ressarcimento aos cofres públicos, foi ordenado o sequestro e bloqueio de bens dos envolvidos no valor de até R$ 4 milhões.
Alcance da operação em múltiplos estados
A ação coordenada pelo MPSP não se limitou ao território paulista. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em delegacias de polícia e endereços estratégicos em São Paulo, além de diligências estendidas aos estados do Paraná e de Goiás.
O objetivo é reunir provas documentais e digitais que reforcem a materialidade dos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção. A operação segue em andamento, com as autoridades analisando os materiais apreendidos para identificar possíveis novos desdobramentos do esquema criminoso.
Fonte: metropoles.com
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