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Paciente recuperado com polilaminina pede à Anvisa liberação de uso compassivo

Paciente recuperado com polilaminina pede à Anvisa liberação de uso compassivo

O bancário Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, tornou-se o rosto de uma esperança científica ao solicitar publicamente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a ampliação do acesso ao tratamento experimental com polilaminina. O paciente, que recuperou parte dos movimentos após sofrer uma lesão cervical completa em 2018, busca que a substância seja disponibilizada via uso compassivo para outros indivíduos em condições semelhantes.

A ciência por trás da regeneração neural

A polilaminina é uma proteína derivada da laminina humana, desenvolvida pelo Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ sob coordenação da pesquisadora Tatiana Sampaio. A substância atua como um andaime biológico, sendo aplicada diretamente no local da lesão durante procedimentos cirúrgicos para facilitar a reconexão dos neurônios.

O caso de Bruno Drummond de Freitas é considerado um marco na pesquisa. Após o acidente em abril de 2018, o paciente apresentou sinais de recuperação motora apenas duas semanas após a intervenção, conseguindo mover o dedão do pé. Atualmente, ele mantém uma rotina de vida normal, embora ainda apresente limitações parciais na mão esquerda.

Regulação e status da pesquisa clínica

A Anvisa, órgão responsável pela regulação de medicamentos no Brasil conforme a Lei 9.782/1999, mantém o rigor na avaliação de segurança e eficácia da proteína. Atualmente, o protocolo está classificado na fase 1 de pesquisa clínica, etapa fundamental para validar a segurança do tratamento em humanos.

O estudo clínico para trauma raquimedular agudo foi aprovado em 5 de janeiro de 2026, tendo a Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda. como patrocinadora. Contudo, a implementação prática enfrenta entraves burocráticos no Hospital das Clínicas da USP, o que tem impedido o início das atividades de pesquisa conforme planejado.

Desafios do uso compassivo e segurança

O uso compassivo é uma modalidade que permite o acesso a tratamentos experimentais para pacientes sem alternativas terapêuticas. Até o momento, a Cristália já forneceu a substância para pouco mais de 100 pacientes, mas o cenário é acompanhado de perto pelas autoridades devido a registros de óbitos entre os participantes.

Desde fevereiro, sete pacientes que receberam a polilaminina faleceram. A empresa farmacêutica sustenta que, até o presente momento, as análises técnicas não estabeleceram relação de causalidade entre os óbitos e a administração da substância. Paralelamente, a pesquisadora Tatiana Sampaio reconheceu a necessidade de correções em dados de um artigo científico preliminar, mantendo, porém, a convicção sobre a eficácia terapêutica observada ao longo de duas décadas de estudos.

Fonte: gazetabrasil.com.br


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