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Carlos Carneiro: do sertão de Euclides da Cunha à Bienal de São Paulo, autor baiano lança novo livro

Escritor de “Mané Vermei” participou da Bienal da Bahia e de diversas feiras literárias no interior, e agora desembarca na maior feira literária do país para apresentar “Entre a Cruz e a Espada” no dia 10 de setembro de 2026.
Foto: Carlos Carneiro

O sertão nordestino, com sua aridez, sua poesia e sua história de resistência, ganhou voz na literatura de Carlos Carneiro. Residente em Euclides da Cunha, cidade baiana que carrega no nome a memória do grande cronista de Os Sertões, o escritor tem se consolidado como um dos nomes mais autênticos da nova geração de autores do interior da Bahia. Depois de passar pela Bienal do Livro da Bahia em abril de 2026, Carneiro se prepara para o maior desafio de sua carreira: a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, onde lançará seu novo trabalho, Entre a Cruz e a Espada, no dia 10 de setembro.

Antes de conquistar os palcos das grandes bienais, Carlos Carneiro já circulava pelo circuito literário do interior baiano, participando ativamente de feiras que celebram a cultura e a história do sertão. Sua trajetória inclui passagens pela FLICAN – Feira Literária Internacional de Canudos, evento que ocorre na cidade histórica de Canudos, este, celebrou a VII edição com o tema “Literatura e Soberania”. O autor também marcou presença na Flicumbe – Feira Literária de Euclides da Cunha, realizada em sua própria cidade, além de integrar a programação de outras feiras regionais como a Flivillas- Festa Literária de Vilas do Atlântico e região, a Fliqui – Feira Literária de Quijingue e a FLIVA – Feira Literária de Valente, eventos que reforçam o movimento de descentralização da cultura e dão visibilidade a autores do interior do estado.

Carlos Carneiro ganhou projeção nacional com Mané Vermei: Um Sertanejo de Canudos, obra que retrata com sensibilidade e crueza a vida no sertão, tendo como pano de fundo a história de Mané Vermei. O livro é descrito pela editora Mepe como “um retrato vívido e comovente da vida no sertão nordestino”, onde o protagonista personifica “a força do povo de Canudos, enfrentando a falta de políticas públicas, a seca, a injustiça e a violência com dignidade e determinação”.

Mas a trajetória de Carlos Carneiro com a história de Canudos vai além da literatura. Ele foi diretor da Cia Teatral de Canudos, grupo que mantém vivo o legado cultural da região por meio do teatro e de projetos sociais. Essa dupla atuação, como escritor e homem de teatro, confere à sua obra uma densidade única, que transita entre a pesquisa histórica e a narrativa afetiva.

A participação de Carlos Carneiro na Bienal do Livro da Bahia 2026 foi um marco em sua carreira. Ele foi um dos 84 autores selecionados pelo edital Vozes da Bahia, iniciativa da Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria de Cultura do Estado. O programa objetivouvalorizar escritores de diferentes regiões do estado, promovendo a diversidade literária e ampliando o acesso à cultura.

O site Euclides Diário destacou essa seleção e participação nesse processo competitivo que reuniu talentos de toda a Bahia. A presença do autor na Bienal baiana foi celebrada como um símbolo da descentralização cultural, rompendo a concentração das atividades literárias nos grandes centros urbanos e fortalecendo a identidade cultural regional.

O novo livro de Carlos Carneiro dá um novo passo em sua carreira. No dia 10 de setembro, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro no Distrito Anhembi, o autor lançará Entre a Cruz e a Espada. A obra promete aprofundar o olhar do escritor sobre as tensões históricas e sociais que marcam o conflito da Guerra de Canudos, com um romance histórico que mantém a veia crítica e o compromisso com a memória, marcas já presentes em seu trabalho anterior.

O lançamento está programado para um dos dias de maior movimento da Bienal, que espera receber mais de 700 mil visitantes. Carneiro se junta a uma programação que reúne nomes consagrados da literatura nacional e internacional, consolidando a presença da literatura do interior baiano no principal evento literário do país.

A trajetória de Carlos Carneiro é a prova de que a literatura brasileira continua sendo feita também fora dos grandes centros. Com Mané Vermei, ele levou a história de Canudos para leitores de diversos cantos do país. Com Entre a Cruz e a Espada, promete ir além, consolidando seu nome como um dos intérpretes mais originais do sertão e de suas contradições.

O público da Bienal de São Paulo terá a oportunidade de conhecer de perto esse autor que, como poucos, consegue transformar a poeira e o sol da caatinga em palavras que ecoam muito além de sua terra natal.

 

Serviço: Lançamento do livro Entre a Cruz e a Espada, de Carlos Carneiro.

Onde: 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo – Distrito Anhembi

Quando: 10 de setembro de 2026

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