Documentos anexados a um inquérito da Polícia Federal revelaram a existência de mensagens que indicam uma tentativa de articulação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A comunicação, interceptada pelos investigadores, sugere um pedido de agenda para tratar de assuntos relacionados ao filme Dark Horse, produção que documenta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O conteúdo das mensagens foi extraído do celular de Daniel Vorcaro e aponta que a intermediação teria sido realizada pelo publicitário Thiago Miranda. Segundo o relatório da PF, o contato foi solicitado em 18 de março de 2025, mesmo dia em que Eduardo Bolsonaro utilizou suas redes sociais para comunicar aos seguidores a decisão de permanecer nos Estados Unidos.
Investigação sobre o financiamento de filme e movimentações financeiras
A Polícia Federal apura possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o financiamento da obra cinematográfica. Os investigadores buscam esclarecer se recursos destinados ao projeto teriam sido desviados para custear a estadia de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano. O parlamentar encontra-se nos Estados Unidos desde 27 de fevereiro de 2025.
O relatório aponta que o primeiro repasse de verbas ordenado por Vorcaro ocorreu cerca de um mês antes do anúncio público feito pelo deputado. Posteriormente, outros dois pagamentos teriam sido realizados seis dias após a declaração, conforme detalhado no documento que teve o sigilo levantado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Defesa e posicionamento dos parlamentares
Em nota oficial enviada ao portal UOL, Eduardo Bolsonaro negou categoricamente ter mantido qualquer reunião ou conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro. O deputado também refutou a existência de qualquer vínculo entre o financiamento do filme e sua mudança para o exterior, sustentando que suas viagens aos Estados Unidos foram custeadas com recursos próprios, sem utilização de verbas parlamentares.
A equipe de defesa de Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre o teor das mensagens reveladas pelo inquérito. O senador tem reiterado publicamente que não cometeu irregularidades e defende a transparência total nas investigações, posicionando-se a favor do fim do sigilo sobre os documentos processuais.
Contexto do inquérito no Supremo Tribunal Federal
O material que fundamenta a apuração da PF faz parte de um conjunto de inquéritos que tramitam sob a relatoria do ministro André Mendonça no STF. O magistrado foi o responsável por determinar a retirada do sigilo dos autos, permitindo que as comunicações entre os envolvidos viessem a público.
Até o momento, o relatório policial não especifica qual teria sido a resposta de Daniel Vorcaro diante da solicitação de agenda feita pelo publicitário, nem confirma se o encontro entre as partes chegou a ser concretizado. As investigações seguem em curso para determinar a origem e o destino final dos valores movimentados.
Fonte: bnews.com.br
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