A vereadora de Serrinha e candidata a segunda suplente do senador Angelo Coronel, Edylene Ferreira (Republicanos), manifestou duras críticas ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), na última sexta-feira (11). O posicionamento da parlamentar ocorre após o governador insistir em pautas relacionadas a um episódio envolvendo mulheres seminuas, mesmo após a Justiça Eleitoral ter afastado a responsabilidade do candidato ACM Neto (União Brasil) sobre o caso.
Questionamentos sobre a exploração política do episódio
Para Edylene Ferreira, a insistência do governador em manter o tema na agenda de campanha, inclusive durante compromissos em Valença, revela uma estratégia de disputa eleitoral. A vereadora argumenta que o discurso de Jerônimo Rodrigues ignora a decisão judicial que extinguiu o processo contra seu adversário, configurando, segundo ela, uma tentativa de obter vantagem política indevida.
“Jerônimo não se importa com o direito das mulheres. Se estivesse realmente preocupado em defender as mulheres, teria o cuidado de reconhecer os fatos depois que eles foram esclarecidos”, afirmou a candidata. Ela reforçou que o uso do episódio visa atribuir ao ex-prefeito de Salvador uma responsabilidade que foi descartada pelo Poder Judiciário.
Contraste entre discurso e execução orçamentária
A crítica da vereadora também se estende à gestão financeira do Executivo estadual. Dados apontam que, entre 2023 e agosto de 2026, o governo da Bahia destinou R$ 89,4 milhões para despesas com “Transporte Aéreo”. Esse montante supera os R$ 73,8 milhões investidos pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) no mesmo intervalo de tempo.
Edylene Ferreira aponta que a priorização de gastos administrativos em detrimento de pastas sociais demonstra uma incoerência entre a retórica do governador e a prática de sua gestão. A parlamentar defende que a proteção feminina exige investimentos robustos e políticas públicas efetivas, e não apenas o uso de temas sensíveis em períodos de campanha eleitoral.
Indicadores de violência contra a mulher na Bahia
O cenário de insegurança pública é outro ponto central nas críticas da suplente. Conforme dados do Atlas da Violência, a Bahia registrou 413 homicídios de mulheres em 2024, mantendo o estado em uma posição crítica no ranking nacional. A situação é agravada pelos números do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Entre janeiro e julho de 2026, o estado apresentou um aumento de 20,1% nos casos de feminicídio e tentativas de feminicídio em comparação ao mesmo período de 2025. Para a vereadora, esses índices refletem a necessidade urgente de uma mudança na condução da segurança pública estadual, focada na proteção real das vidas das mulheres baianas.
Fonte: politicalivre.com.br
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