A capital baiana torna-se o novo palco para a 36ª Bienal de São Paulo a partir de 5 de setembro de 2026. A exposição, que ocupa o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) até 29 de novembro, apresenta um recorte curatorial focado nas complexidades das culturas afro-brasileiras e afro-diaspóricas, consolidando o compromisso da instituição com a democratização do acesso à arte contemporânea.
Sob a curadoria de Keyna Eleison e Thiago de Paula Souza, a mostra integra o programa de itinerâncias intitulado “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”. O evento reúne trabalhos de 14 artistas nacionais e internacionais, estabelecendo um diálogo profundo entre a produção artística global e o território de Salvador, cidade que já recebeu edições itinerantes da Bienal em 2011 e 2024.
Artistas baianos e o retorno da obra Irókó
A presença local é um dos pilares desta edição. O artista Antonio Társis, natural de Salvador, apresenta a instalação “catástrofe orquestra #1 (Ato I)”, utilizando materiais como carvão e tambores para discutir o extrativismo colonial. Já Alberto Pitta contribui com tecidos serigrafados que traduzem narrativas e festividades da cultura negra, enquanto Nádia Taquary expõe “Irókó: A árvore cósmica”. Esta última, uma obra comissionada para a 36ª edição, ganha um significado especial ao retornar à sua cidade de origem, simbolizando um ciclo de pertencimento e memória.
Diálogos internacionais e acervo fotográfico
A exposição expande o olhar para além das fronteiras brasileiras, trazendo obras de nomes como Myrlande Constant, que reconstrói a tradição dos estandartes vodu, e Berenice Olmedo, com sua instalação pneumática “Pnoê”. O destaque internacional fica por conta da fotógrafa norte-americana Ming Smith, a primeira mulher negra a ter obras incorporadas ao acervo do MoMA. O público poderá conferir mais de 50 fotografias que documentam a diáspora negra entre o Harlem e o continente africano.
Expansão cultural e ações educativas
A chegada ao MUNCAB marca uma parceria estratégica, onde o museu deixa de ser apenas um espaço expositivo para se tornar um agente ativo na leitura das obras. Segundo a diretora geral do MUNCAB, Cintia Maria, a instituição reafirma seu papel como território de pertencimento ao acolher este recorte da Bienal. Além da exibição, o projeto contempla um robusto programa educativo, incluindo visitas mediadas, palestras e laboratórios pedagógicos voltados para professores e estudantes.
A itinerância, que já percorreu diversas capitais brasileiras, reafirma a convicção da Fundação Bienal de São Paulo de que a experiência artística deve transcender o fechamento do pavilhão principal. Com ingressos acessíveis e dias de entrada gratuita, a mostra convida o público a refletir sobre a humanidade como prática, em um ambiente que celebra a diversidade e a história da diáspora.
Fonte: atarde.com.br
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
