N/A

Trump acusa papa Leão 14 de colocar católicos em risco com seu posicionamento sobre o Irã

3 views
Exército dos EUA anuncia bloqueio de todos os portos do Irã a partir desta segunda-feira

Em um novo ataque ao papa Leão 14, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o líder da Igreja Católica de colocar fiéis em risco devido à sua posição sobre o Irã. Durante uma entrevista ao radialista conservador Hugh Hewitt na segunda-feira, 4 de setembro, Trump afirmou: "Acho que ele está colocando em perigo muitos católicos e muitas pessoas. Mas acho que, se depender do papa, ele acha que está tudo bem o Irã ter uma arma nuclear".

Leão 14, que nunca defendeu a posse de armamento nuclear por parte de Teerã, respondeu às acusações nesta terça-feira, 5 de setembro. Ele expressou seu desejo de difundir a mensagem cristã focando na paz. "A missão da Igreja é pregar o Evangelho, pregar a paz. Se alguém quiser me criticar por pregar o Evangelho, espero simplesmente ser ouvido por causa do valor da palavra de Deus", declarou.

Essas declarações se somam a uma série de críticas que Trump tem feito a Leão 14, especialmente por sua oposição à guerra no Irã. Em abril, o presidente americano chamou o papa de fraco e sugeriu que ele não deveria se envolver em questões políticas, além de compartilhar imagens geradas por inteligência artificial em que aparecia como Jesus Cristo.

Leão 14, que se tornou o primeiro papa americano da história e também se naturalizou peruano, manteve um perfil discreto no cenário global durante seu primeiro ano como líder da Igreja Católica. No entanto, nas últimas semanas, ele se destacou como um crítico do governo Trump, afirmando que Deus rejeita orações de líderes que promovem guerras e pedindo o fim dos conflitos.

As declarações de Trump ocorreram logo após o Vaticano anunciar que o secretário de Estado, Marco Rubio, se reunirá com o papa na próxima quinta-feira, 7 de setembro, para discutir a redução das tensões e interesses em comum. O cardeal Pietro Parolin, principal diplomata da Santa Sé, também participará do encontro. O embaixador americano no Vaticano, Brian Burch, afirmou que Rubio espera uma reunião "franca". Ele destacou que, embora existam divergências entre as nações, o diálogo autêntico é uma forma de resolvê-las.

Quando questionado sobre a declaração de Trump, Parolin afirmou que o papa continuará seu trabalho. "O papa continua em seu caminho, no sentido de pregar o Evangelho, de pregar a paz — como diria São Paulo — em tempo oportuno e inoportuno".

Este será o segundo encontro de Marco Rubio com o papa. Na primeira ocasião, em 2025, Rubio e o vice-presidente americano, J. D. Vance, ambos católicos, participaram da missa de posse de Leão 14 e tiveram uma reunião privada com o pontífice no dia seguinte, onde o convidaram para visitar a Casa Branca. Após as críticas de Trump, Vance comentou que o papa deveria ter cuidado ao misturar teologia e guerra.

Rubio também se reunirá com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o ministro de Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, na sexta-feira. Embora Meloni tenha sido uma das principais apoiadoras de Donald Trump, ela tem feito críticas contundentes a Washington desde sua entrada na guerra e declarou apoio direto a Leão 14. "O papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e normal que ele peça a paz e condene todas as formas de guerra", afirmou a primeira-ministra em um comunicado em abril.


Descubra mais sobre Euclides Diário

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Rolar para cima