Gravações e documentos obtidos pela revista Veja trouxeram à tona denúncias envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo o relato, cerca de R$ 30 milhões teriam sido pagos em espécie para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dirigido por Oliver Stone, e para o Instituto Lula. O montante faria parte de uma estratégia para obter acesso privilegiado a recursos de grandes fundos de pensão estatais, como Previ, Petros e Postalis.
Atualmente detido em Brasília desde março, sob acusação de envolvimento em fraudes bancárias, Vorcaro afirmou em depoimento que as negociações foram conduzidas diretamente com o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O objetivo central seria viabilizar o credenciamento da instituição financeira junto aos fundos previdenciários, mediante o pagamento de propinas e adiantamentos irregulares.
Pagamentos e articulações políticas
Nos áudios revelados, o ex-banqueiro detalha que os repasses foram realizados de forma oculta. Vorcaro afirma categoricamente que o financiamento do filme foi feito “por fora”, caracterizando a operação como irregular. A articulação inicial teria contado com o apoio de seu ex-sócio, Augusto Lima, e a intermediação do então líder do governo no Senado, Jaques Wagner.
Segundo o relato, o acordo estabelecido com Vaccari previa, além da quantia inicial para o documentário, uma taxa de 10% sobre todo o capital que o banco conseguisse captar junto aos fundos. Caso o esquema tivesse atingido seu potencial máximo, as estimativas sugerem que o PT poderia embolsar R$ 1 bilhão, enquanto o banco visava um faturamento na casa dos R$ 9 bilhões.
Envolvimento de agentes públicos
O esquema teria contado com a participação de figuras do alto escalão do governo. Vorcaro aponta a atuação do então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e de seu secretário-executivo, Olavo Noleto. A conexão com os fundos de pensão era facilitada por um operador identificado como Júlio, que possuía trânsito livre no gabinete de Padilha, no Palácio do Planalto.
Documentos e mensagens recuperadas do celular do banqueiro indicam que a inclusão do Banco Master na lista de instituições autorizadas a receber recursos ocorreu em 29 de abril de 2024. Na mesma data, o operador Júlio teria solicitado e recebido um repasse de R$ 500 mil. A influência política foi utilizada para agendar reuniões estratégicas na Petros e na Previ.
Tentativas de acesso ao Palácio do Planalto
Apesar dos pagamentos, a tentativa de consolidar o acesso direto ao presidente Lula encontrou obstáculos. Embora mensagens de outubro de 2024 indicassem que a ala ligada a Padilha articulava um encontro, não há evidências de que a reunião tenha ocorrido. O único encontro confirmado no Planalto, em 4 de dezembro de 2024, foi mediado pelo advogado Walfrido Warde com o chefe de gabinete Marco Aurélio Santana, tratando da situação do banco junto ao Banco Central.
Para mais detalhes sobre o desenrolar das investigações, consulte a reportagem original na revista Veja.
Fonte: gazetabrasil.com.br
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