A estratégia de lançar chapas “puro-sangue” — composições formadas exclusivamente por candidatos de um mesmo partido para o Governo da Bahia e para o Senado — volta ao centro do debate político com as movimentações para 2026. A base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) aposta nesta tática, que carrega um histórico de 26 utilizações desde 1947, acumulando apenas seis vitórias contra 20 derrotas, segundo levantamento realizado pelo portal A TARDE com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para o pleito de 2026, o PT projeta uma chapa composta por Jerônimo Rodrigues ao governo, com Rui Costa e Jaques Wagner disputando as duas vagas ao Senado. Esta será a 27ª vez que o modelo é identificado no estado. Embora historicamente associada a partidos de oposição ou legendas com menor estrutura, a estratégia já foi o motor de vitórias decisivas em períodos de hegemonia política na Bahia.
A trajetória das vitórias e o domínio do PFL
A primeira vitória de uma chapa puro-sangue ocorreu em 1982, com o PDS, que elegeu João Durval para o governo e Luiz Viana Filho para o Senado. Quatro anos depois, em 1986, o PMDB repetiu o êxito ao eleger Waldir Pires para o Executivo e Ruy Bacelar e Jutahy Magalhães para o Senado, consolidando o modelo como uma alternativa viável de poder.
A partir de 1990, o PFL iniciou um ciclo de domínio absoluto com essa tática. Antonio Carlos Magalhães (ACM) foi eleito governador, acompanhado de Josaphat Marinho ao Senado. Em 1994, a chapa composta por Paulo Souto e pelos senadores Antonio Carlos Magalhães e Waldeck Ornelas também saiu vitoriosa. O ciclo de quatro vitórias consecutivas do PFL foi encerrado em 2002, quando Paulo Souto, Antonio Carlos Magalhães e César Borges foram eleitos.
O cenário de derrotas e a mudança de paradigma
Desde 2006, o cenário eleitoral baiano tem sido hostil às chapas puro-sangue. Naquele ano, tanto o PFL quanto o PSOL tentaram o modelo e foram derrotados. A cientista política Helcimara Telles atribui esse declínio à perda de força do grupo carlista e às disputas internas que fragilizaram o PFL após a era ACM, que chegou a declarar perplexidade com a vitória de Jaques Wagner ainda no primeiro turno.
A sequência de insucessos seguiu em 2010 e 2014, com diversas legendas tentando, sem êxito, a fórmula. O ano de 2018 registrou o recorde de quatro chapas puro-sangue simultâneas — PSOL, REDE, PRTB e MDB —, todas derrotadas. Em 2022, o PL, com João Roma e Raíssa Soares, e o PSOL, com Kleber Rosa e Tâmara Azevedo, também não conseguiram converter a estratégia em votos suficientes para a vitória.
Fonte: atarde.com.br
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