O futuro do departamento de futebol do Corinthians permanece em fase de análise criteriosa. A cúpula alvinegra, composta por lideranças da Diretoria, do Conselho Deliberativo e do Cori, formalizou uma série de questionamentos técnicos e jurídicos direcionados aos responsáveis pelo projeto SAFiel. O objetivo central é garantir a viabilidade financeira e a transparência da proposta antes de qualquer avanço institucional.
A manifestação oficial, assinada por Osmar Stabile, Romeu Tuma Júnior e Miguel Marques e Silva, não representa uma recusa, mas um bloqueio temporário para assegurar que o clube não assuma riscos desnecessários. A exigência de esclarecimentos detalhados ocorreu após uma reunião de quatro horas realizada no Parque São Jorge, na última quarta-feira, 26.
Metodologia e viabilidade financeira da proposta
Um dos pontos de maior atenção do clube diz respeito à projeção de captação de recursos, que estima entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões. O Corinthians solicitou a metodologia detalhada utilizada para projetar a adesão de 5% da torcida economicamente ativa, questionando como o grupo cruzou dados de instituições como IBGE, Serasa e Anbima.
Além da base estatística, a diretoria exige exemplos de operações de capitalização pulverizada no futebol que tenham atingido taxas de conversão similares. O clube também busca entender se a estimativa considerou variáveis reais de mercado, como o endividamento familiar e a inadimplência, solicitando a apresentação de cenários conservadores e pessimistas para a viabilidade do modelo.
Compliance e histórico societário da Invasão Fiel S/A
A área de Compliance do Corinthians levantou preocupações sobre a estrutura da Invasão Fiel S/A, empresa responsável pela proposta. O clube questiona o capital social de R$ 3 mil, considerado insuficiente para a magnitude da operação, além de buscar esclarecimentos sobre a recente constituição da companhia, datada de julho de 2025.
O documento também aborda a participação de Maurício Chamati, sócio da empresa e ex-integrante do Comitê Independente de Finanças. O clube exige saber se informações confidenciais acessadas por Chamati durante sua passagem pela gestão anterior foram utilizadas na elaboração da proposta, citando um termo de confidencialidade com multa de R$ 500 mil em caso de violação.
Segurança jurídica e riscos de exclusividade
O Corinthians busca evitar que a assinatura de um documento classificado como “não vinculante” gere efeitos jurídicos imediatos ou obrigações financeiras não previstas. A diretoria quer garantias de que o processo não criará cláusulas de exclusividade que impeçam a análise de outras propostas de investimento no mercado.
A cúpula alvinegra reforçou que os apontamentos sobre o histórico dos envolvidos e a estrutura societária não constituem, neste momento, um juízo de valor ou conclusão sobre ilicitude. A continuidade das tratativas está estritamente condicionada à entrega de respostas satisfatórias que permitam uma avaliação de risco segura para a instituição.
Fonte: atarde.com.br
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