O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, manifestou publicamente seu descontentamento com a postura diplomática brasileira. Durante audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, realizada nesta quarta-feira (12), o ex-chanceler afirmou sentir vergonha da atual “servilidade” do país frente a potências estrangeiras, destacando que a pressão diplomática dos Estados Unidos sobre Brasília tem se intensificado no atual cenário pré-eleitoral.
Tensões diplomáticas e a pressão de Washington
O debate na Câmara foi marcado por questionamentos incisivos. Ao ser provocado pelo deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança sobre a imagem internacional do Brasil, Amorim enfatizou que sua preocupação central reside na autonomia das decisões nacionais. O assessor argumentou que a pressão exercida por Washington ganha contornos mais nítidos devido às divergências ideológicas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo americano, liderado por Donald Trump.
Impactos da classificação de facções como terroristas
A pauta principal da audiência foi a decisão dos EUA, tomada em maio de 2025, de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo Celso Amorim, essa medida carece de eficácia jurídica e não traz ganhos práticos para a cooperação internacional, visto que os dois países já possuem acordos robustos de inteligência e extradição.
O governo brasileiro teme que as sanções unilaterais americanas gerem efeitos colaterais severos. Setores estratégicos, incluindo a logística, o mercado de combustíveis e o setor sucroalcooleiro, podem sofrer prejuízos econômicos caso as medidas de Washington afetem empresas e instituições financeiras ligadas a essas áreas. Amorim relatou, inclusive, que uma ação isolada dos EUA chegou a comprometer uma investigação em curso da Polícia Federal.
Protocolos diplomáticos e o caso da embaixada
Além das questões de segurança, o assessor criticou o que classificou como uma postura “bizarra” por parte da administração americana. O governo dos EUA tornou pública a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador no Brasil e avançou com o processo no Senado americano antes mesmo de obter o agrément, o consentimento formal exigido pelas normas diplomáticas internacionais. Para mais detalhes sobre as relações bilaterais, consulte o portal oficial do Ministério das Relações Exteriores.
Fonte: gazetabrasil.com.br
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
