Brasil e Índia intensificaram, nesta semana, as negociações para fortalecer o intercâmbio econômico entre as duas nações. O objetivo central das autoridades é elevar a corrente comercial bilateral para a marca de R$ 20 bilhões nos próximos quatro anos, um salto significativo frente ao patamar atual. Para viabilizar essa meta, uma comitiva indiana de alto nível cumpriu agenda em território brasileiro, debatendo estratégias e mapeando novas oportunidades de negócios.
Estratégias para o crescimento do comércio bilateral
Liderada pelo secretário de Comércio da Índia, Rajesh Agrawal, a delegação contou com a presença de representantes de 19 empresas de setores estratégicos, como farmacêutico, mineração, infraestrutura e agronegócio. A missão buscou destravar gargalos que impedem a expansão das trocas comerciais, que hoje giram em torno de R$ 15 bilhões.
O governo brasileiro, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), avalia que o alcance dessa meta depende da ampliação das linhas tarifárias negociadas. A ideia é diversificar a pauta de produtos importados e exportados, garantindo maior fluidez nas transações entre os dois mercados.
Memorando de entendimento e cooperação institucional
Como desdobramento prático das discussões, foi assinado um memorando de entendimento entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e representantes indianos. O documento estabelece uma base institucional sólida para a troca de informações e o desenvolvimento de projetos conjuntos.
A iniciativa visa facilitar a atração de investimentos e criar um ambiente de negócios mais seguro para empresas de ambos os países. A medida é vista como um passo fundamental para transformar o potencial de parceria em resultados econômicos concretos, especialmente em setores de alta relevância para a balança comercial.
Investimentos indianos em infraestrutura e mineração
O interesse indiano no mercado brasileiro vai além das trocas de mercadorias, focando também em investimentos diretos. Um exemplo emblemático é a atuação do grupo Fomento no Rio Grande do Norte, que destina cerca de R$ 2,5 bilhões para a construção de uma mina de minério de ferro e uma estrutura logística associada.
O projeto, que inclui a concessão de parte do porto de Natal, tem previsão de início das operações para 2029. Segundo o diretor executivo da companhia, Anuj Timblo, a expectativa é alcançar uma produção média de 2 milhões de toneladas anuais, consolidando a presença indiana no setor de extração brasileiro.
Aliança política e o papel do Sul Global
A parceria entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o premiê Narendra Modi transcende a economia, consolidando-se como uma aliança política estratégica. Ambos os líderes defendem o fortalecimento do multilateralismo e uma participação mais ativa do Sul Global na governança internacional.
O ministro Márcio Elias Rosa destacou que a relação entre os países é pautada por valores sociais comuns, como a distribuição de renda e a inclusão. Em um cenário global marcado por pressões tarifárias, a diversificação de parceiros comerciais é vista pelo governo brasileiro como uma forma de reduzir a dependência e a exposição às políticas comerciais norte-americanas.
Fonte: metropoles.com
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