A secretária de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) de Salvador, Fernanda Lordêlo, manifestou-se publicamente contra as declarações da titular da pasta estadual (SPM), Camilla Batista. O embate gira em torno da gestão de equipamentos de proteção às vítimas de violência doméstica e da responsabilidade financeira sobre a implantação de uma Casa Abrigo na capital baiana.
Estrutura municipal e o embate sobre recursos
Em entrevista recente, a secretária estadual afirmou que a ausência de uma Casa Abrigo municipal em Salvador seria fruto de uma suposta “falta de vontade política”. Em contrapartida, Fernanda Lordêlo refutou a acusação, classificando-a como leviana. Segundo a gestora, a prefeitura mantém sua rede de proteção utilizando exclusivamente recursos próprios, sem aporte financeiro do Governo do Estado.
Atualmente, a capital baiana conta com uma estrutura composta por três Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAMs), a Patrulha Guardiã Maria da Penha, o Núcleo de Enfrentamento e Prevenção ao Feminicídio (NEF) e a recém-inaugurada Casa da Mulher Brasileira. A secretária municipal reforçou que a manutenção desses serviços exige um investimento constante e robusto da administração local.
Déficit de delegacias especializadas no interior
O debate também alcançou a esfera da segurança pública estadual. Fernanda Lordêlo apontou que a Bahia lidera índices alarmantes de violência contra a mulher no Nordeste, ocupando a terceira posição no ranking nacional. Para a secretária, o foco do Estado deveria ser a ampliação da cobertura de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) em todo o território baiano.
Atualmente, apenas 15 dos 417 municípios do estado possuem unidades especializadas. A gestora ressaltou que essa lacuna deixa milhares de mulheres desassistidas, especialmente em situações de emergência durante o período noturno, quando a rede de apoio se torna ainda mais vital para a sobrevivência das vítimas.
Complexidade e sigilo na gestão de abrigos
Sobre a demanda por uma Casa Abrigo municipal, Lordêlo explicou que a viabilização do projeto enfrenta entraves financeiros e logísticos. Por tratar-se de um serviço de alta complexidade, o equipamento exige funcionamento ininterrupto, equipes multidisciplinares e, principalmente, a garantia absoluta de sigilo sobre o endereço para proteger mulheres sob risco iminente de morte.
A secretária argumentou que os valores oferecidos pelo Estado como contrapartida são insuficientes para cobrir a estrutura necessária e garantir a segurança das acolhidas. Para mais informações sobre o cenário da segurança pública, consulte o portal Bahia Notícias. A gestão municipal mantém a disposição para dialogar, desde que o Governo do Estado assuma suas responsabilidades financeiras na expansão da rede de proteção em toda a Bahia.
Fonte: bahianoticias.com.br
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