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Fila do INSS cai a menor patamar desde 2024, e nova presidente vê redução gradual nos próximos meses

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Fila do INSS cai a menor patamar desde 2024, e nova presidente vê redução gradual nos próximos meses
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A fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) registrou uma queda pelo quarto mês consecutivo, alcançando 1,9 milhão de pedidos nesta quinta-feira (25), conforme informou à Folha a nova presidente do órgão, Ana Cristina Silveira. Este é o menor número desde outubro de 2024. Em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo em abril, Silveira expressou a expectativa de que o estoque de requerimentos continue a diminuir nos próximos meses e destacou que o governo busca ferramentas para garantir uma regularização mais duradoura.

Um dos principais desafios que ela enfrenta à frente do INSS é a oscilação significativa no tempo de espera por benefícios, que tem variado ao longo dos anos, acompanhando o ciclo político. A digitalização dos serviços do INSS levou a um pico na fila em 2021, durante o terceiro ano da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que acelerou as concessões em 2022, ano eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se elegeu prometendo acabar com a espera dos segurados, viu seu governo registrar sucessivos recordes na fila após decidir suspender temporariamente a análise de benefícios assistenciais. Em 2026, ano eleitoral, Lula trocou o comando do INSS e ordenou a intensificação das concessões.

Silveira afirmou que a meta não é apenas atender à demanda de 2026, mas implementar melhorias estruturais. Ela mencionou a importância de aprimorar sistemas e fluxos de trabalho para garantir que os benefícios sejam analisados dentro de um prazo razoável. Em junho, o número de pedidos represados caiu em 267 mil, uma redução inferior à observada em maio, que foi de 366 mil. A presidente espera que a diminuição ocorra de forma gradual, uma vez que o instituto já tratou dos casos que podiam ser resolvidos rapidamente.

Apesar da redução, Silveira reafirmou o compromisso de zerar a fila de requerimentos fora do prazo até o fim de setembro, uma promessa feita por Lula. Atualmente, 616 mil dos 1,9 milhão de pedidos estão fora do prazo, enquanto os demais estão dentro do prazo de 45 dias ou aguardam informações complementares dos segurados. A presidente destacou que o INSS está ajustando o fluxo de trabalho e melhorando o sistema, além de colaborar com outros órgãos, como o Ministério da Previdência e a Dataprev, para garantir a diminuição da fila.

Um dos desafios mencionados por Silveira são as falhas nos sistemas do INSS, que frequentemente causam interrupções na análise dos benefícios e afetam a produtividade do órgão. Em 2023, a Folha reportou que os sistemas do instituto ficaram fora do ar por 1.466 horas entre agosto e dezembro, o que equivale a mais de dois meses de interrupção. A Dataprev, responsável pela tecnologia do sistema, afirmou que as ocorrências são pontuais e de curta duração, mas a nova gestão do INSS considera a resolução desse problema uma prioridade.

Silveira destacou que o foco principal é garantir a estabilidade do sistema. Ela afirmou que, no último mês, não houve quedas, resultado de um trabalho conjunto com a Dataprev. A presidente explicou que as interrupções muitas vezes ocorrem devido à implementação de melhorias, mas a equipe está priorizando a estabilidade do sistema. A Dataprev informou que, em 2026, não houve descumprimento dos acordos de nível de serviço, que exigem uma disponibilidade mínima de 98% do sistema.

O INSS também reorganizou suas prioridades de análise, transferindo 10% dos servidores da área de reabilitação profissional para atender à fila de pedidos iniciais e desacelerando o pente-fino do BPC (Benefício de Prestação Continuada), suspendendo novas convocações para perícias de revisão. Silveira afirmou que as revisões continuam, mas a avaliação social, que analisa a vulnerabilidade das famílias, passou por mudanças. Ela explicou que o ritmo das revisões foi reduzido para dar vazão aos requerimentos iniciais, mas sem interromper o processo.

A reposição de pessoal é uma meta para garantir maior regularidade nas análises e ampliar o atendimento presencial nas agências. Esse tema é frequentemente reivindicado por segurados e gestores, mas enfrenta resistência de servidores que preferem o trabalho remoto. Silveira informou que, em 2018, o INSS contava com 33,8 mil servidores ativos, número que caiu para 21,3 mil em 2020, e atualmente está em 17,8 mil. A nova presidente estima a necessidade de repor 10 mil servidores, mas reconhece a dificuldade de atingir esse número. Por isso, o órgão solicitou de forma "emergencial" 2.000 novos concursados para 2027, além dos 300 já nomeados neste ano, com a contratação dependendo da aprovação do MGI (Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos).

Silveira afirmou que, se o pedido for aprovado, a prioridade será alocar servidores para o trabalho presencial. Ela ressaltou que o trabalho remoto não é negativo, pois otimiza a análise, mas está sendo estudada a possibilidade de trazer mais servidores para as agências. A presidente também respondeu a críticas sobre a redução da fila do INSS, afirmando que, em março, houve um recorde de 890 mil novos benefícios implementados, e que em abril e maio a média foi superior a 700 mil por mês. Silveira garantiu que a análise está mais rápida e que a concessão de benefícios está proporcionalmente aumentando, refutando a ideia de que a velocidade da análise está levando a mais indeferimentos.


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