O ministro André Mendonça, do Superior Tribunal Federal (STF), solicitou um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a investigação do caso "Dark Horse", um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O longa-metragem teria sido financiado com recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master. O pedido foi enviado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, nesta terça-feira, 30 de outubro. O chefe do Ministério Público Federal (MPF) decidirá se há elementos suficientes para a abertura formal de um inquérito que investigue os repasses.
Na semana passada, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que o pedido de investigação feito pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) ficasse sob a relatoria de Mendonça, em vez de ser encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes. Fachin justificou que os episódios mencionados por Farias estão relacionados a outros processos já sob a responsabilidade de Mendonça, que é relator das investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Master.
Lindbergh acionou o STF após o site The Intercept Brasil divulgar um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, solicita dinheiro a Vorcaro para financiar o filme. Inicialmente, o pedido de investigação foi direcionado ao gabinete de Moraes, pois Lindbergh alegou que os repasses de Vorcaro poderiam ter sido utilizados para custear a estadia do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, um caso que está sob a relatoria de Moraes.
Entretanto, como presidente do STF, Fachin avaliou que Mendonça deveria centralizar a investigação sobre os pagamentos suspeitos realizados por Vorcaro. O ex-banqueiro encontra-se em prisão preventiva na unidade conhecida como Papudinha. O primeiro ato de Mendonça foi conceder vista à PGR, um procedimento protocolar, visto que o Ministério Público é o órgão responsável por solicitar a abertura de investigações penais. Não há um prazo definido para que o parecer de Gonet seja enviado ao magistrado.
Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade. O senador afirmou que apenas buscou recursos com Vorcaro para a realização do filme e que não informou seus aliados sobre isso devido a uma cláusula de confidencialidade no contrato.
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