O mercado ilegal no Brasil atingiu patamares alarmantes, consolidando um cenário de perdas financeiras significativas para a economia nacional. Segundo dados divulgados pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), o país registrou um prejuízo de quase R$ 500 bilhões no ano passado, um montante que equivale a 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Impacto econômico e sonegação fiscal
O levantamento, que consolida informações de 15 setores da economia, aponta que o impacto total alcançou a marca de R$ 473,2 bilhões. Desse volume, a maior parte, cerca de R$ 326,3 bilhões, refere-se a perdas diretas nas cadeias produtivas formais. O restante, R$ 146,9 bilhões, é atribuído ao impacto direto da sonegação fiscal, que drena recursos essenciais dos cofres públicos e limita a capacidade de investimento do Estado.
Setores mais afetados pelo mercado ilegal
A análise detalhada revela uma concentração das perdas em segmentos específicos. O setor de vestuário e o de bebidas alcoólicas lideram o ranking, sendo responsáveis por mais da metade do prejuízo total contabilizado. A lista de produtos vulneráveis ao contrabando e à falsificação é extensa e diversificada, abrangendo itens como combustíveis, material esportivo, higiene pessoal, perfumaria, cosméticos e defensivos agrícolas.
Além desses, o mercado de ouro, TV por assinatura, óculos, cigarros, celulares, filmes, perfumes importados, computadores e brinquedos também sofre com a concorrência desleal. É importante notar que setores críticos, como o de peças para automóveis, motos e aviões, ferramentas, alimentos, próteses e medicamentos, não divulgaram números, o que sugere que o impacto real na economia pode ser ainda superior ao estimado.
Evolução histórica do contrabando no país
A pesquisa realizada pelo FNCP possui um histórico que remonta a 2014, época em que as perdas eram estimadas em R$ 100 bilhões, sem correção inflacionária. Desde então, a trajetória tem sido de crescimento constante, embora o ritmo de expansão tenha apresentado uma desaceleração nos anos mais recentes. Em 2023, o prejuízo estimado foi de R$ 441,3 bilhões, saltando para R$ 468,3 bilhões em 2024, conforme reportado pela Folha de S. Paulo.
Apesar da magnitude dos números, os especialistas ressaltam que o cálculo é conservador. A metodologia atual não contabiliza efeitos colaterais graves, como a redução na geração de empregos formais, a queda na renda média do trabalhador e o desestímulo a novos investimentos privados, fatores que perpetuam o ciclo de informalidade e prejudicam o desenvolvimento econômico do Brasil a longo prazo.
Fonte: bahianoticias.com.br
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