A Justiça Eleitoral do Ceará determinou que o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, e o senador Camilo Santana prestem esclarecimentos formais sobre a produção de um vídeo de campanha. A medida visa apurar o possível uso de inteligência artificial na peça publicitária, que apresenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com dez dedos, alterando sua característica física real.
Investigação sobre manipulação de imagem
A notificação judicial também abrange o ex-secretário da Casa Civil, Chagas Vieira, que compartilhou o conteúdo em suas redes sociais. O material, divulgado em julho, foi produzido como suporte à reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas. A peça utiliza transições visuais para conectar a imagem do governador à do presidente da República.
O ponto central da controvérsia reside em um momento específico da edição, onde o presidente aparece com a mão completa. O detalhe chamou a atenção por divergir da condição física de Lula, que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho ocorrido na década de 1960. O questionamento jurídico busca determinar se essa alteração foi fruto de processamento por IA ou erro de edição.
Decisões judiciais e recursos do PL
A ação que solicitou a retirada imediata do vídeo foi movida pelo PL. Inicialmente, o desembargador Francisco Luís Rios Alves negou o pedido de liminar, argumentando que o material parecia utilizar apenas técnicas convencionais de montagem audiovisual. Segundo o magistrado, não havia, naquele momento, provas técnicas que sustentassem a alegação de manipulação sintética.
Após a negativa, o partido recorreu da decisão, reforçando o argumento sobre a mão com dez dedos e apontando uma falha adicional, onde a imagem do governador Elmano de Freitas aparece duplicada. Diante dos novos elementos apresentados no recurso, o desembargador reavaliou a necessidade de maior clareza sobre o processo de criação do material.
Esclarecimentos exigidos pela Justiça
Com o novo despacho, os políticos envolvidos deverão informar oficialmente se houve o emprego de ferramentas de inteligência artificial na elaboração ou edição do conteúdo. Caso a defesa negue o uso de IA, será necessário detalhar minuciosamente o método técnico utilizado para a montagem das cenas. A determinação segue as diretrizes estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral para o uso de tecnologias digitais em campanhas.
Fonte: bahianoticias.com.br
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